Um café, um amigo, uma prece, uma bênção. Tudo o que esquenta o coração, alimenta a fé e fortalece a vida.
Frases de Cláudia Dornelles
37 frases
A dor melhora. Claro que melhora. Melhora desde que você deixe doer. E doer dói ,né? Passa? Lógico que passa. Mas até passar é uma merda!
Ter coragem não é se jogar no abismo. Ter coragem é saber ter medo. E saber é sempre bom.
Ah, essa coisa de amor. Amor não se explica. Amor se aplica. Amor se descomplica e multiplica. Se lapida, se adequa, se rega e se roga. Amor não se implora. Amor aflora. Amor não se impõe. Amor propõe e não supõe. Amor tem certeza. Tem clareza. Tem nudeza. Amor tem beleza.
Minha escrita são minhas vivências ou as que observo próximas de mim. Por isso digo: me lê? Então me conhece. É assim. Não quer se expor não escreva.
Dou valor às pessoas que convivem comigo o ano inteiro e isso me desincumbe de usar apenas uma data simbólica para praticar a hipocrisia.
Perdi o talento! Hoje decreto o fim do meu talento. Perdi o talento para meias-palavras, frases enigmáticas, problemas sem solução, conclusões óbvias, indivíduos-metades. Perdi o talento.
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Perdi o talento! Hoje decreto o fim do meu talento. Perdi o talento para meias-palavras, frases enigmáticas, problemas sem solução, conclusões óbvias, indivíduos-metades. Perdi o talento. Perdi o talento para história mal contada, esperança inventada, ilusão trabalhada. Perdi o talento para excesso de subjetividade, para conversa fiada e para assunto que sempre começa e nunca termina. Perdi o talento para amigo sem preocupação, gente sem atenção, trabalhador sem função. Perdi o talento para santos que não cumprem promessa, para deuses subjetivos, para crenças subliminares. Perdi o talento. Perdi o talento para embromação, para justificativas de enrolação, para frase sem entonação. Perdi o talento. Não. Perdi a vocação!
Controvérsia Às vezes é mais decisivo o que se pretende esconder do que o que se tenta mostrar. Para exibir algo há que se esconder muito.
Ritos de passagem Com o tempo a vida transforma as dores em ritos de passagem.
A ignorância não me habita Quisera eu poder dizer a todos os meus amigos, que são poucos, o quanto deles me habita. A expressão amigo ficou banalizada, e os seres humanos desumanizaram a percepção do que pode ser percebido pelo outro.
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A ignorância não me habita Quisera eu poder dizer a todos os meus amigos, que são poucos, o quanto deles me habita. A expressão amigo ficou banalizada, e os seres humanos desumanizaram a percepção do que pode ser percebido pelo outro. Intrigante que, quanto mais antenadas, mais solitárias tornam-se as pessoas muito modernas. Encastelam-se em seus equipamentos cibernéticos e ignoram que o amor habita na compreensão da diferença. Eu sou Bossa Nova e você é Rock, eu sou branco e você estampado. Eu faço prece e você ora. Eu como tomate na salada e você o trata como fruta. Ok. Somos amigos, não é? Então é o afeto que nos une e as diferenças que nos enriquecem. Aos meus amigos e aos nem tanto...
Direto Enquanto a esperança é a última que morre, a ilusão alimenta os imbecis que não têm resolutividade na vida. Você não tem de ser de direita nem de esquerda.
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Direto Enquanto a esperança é a última que morre, a ilusão alimenta os imbecis que não têm resolutividade na vida. Você não tem de ser de direita nem de esquerda. Você tem é de ser direito e, se possível, direto.
Povo de Fé A gente nunca deveria discutir religião. Não. Religião a gente deveria apenas sentir. Ou bate ou não bate. Temos muita sorte. Muita! Quer ver? Te conto.
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Povo de Fé A gente nunca deveria discutir religião. Não. Religião a gente deveria apenas sentir. Ou bate ou não bate. Temos muita sorte. Muita! Quer ver? Te conto. Iniciamos o ano, logo no primeiro dia, 1º de janeiro, e o que temos? Dia de todos os santos. Quer exemplo mais democrático? Está todo mundo homenageado e não se fala mais no assunto! Dezenove dias depois, comemoramos São Sebastião, que, não sendo bobo nem nada, é logo o padroeiro do Rio de Janeiro. Levou flechada, mas levou a melhor, vamos combinar. Chegamos a dois de fevereiro. Sem controvérsias. Vamos comemorar Iemanjá. Afinal, um litoral imenso desses não poderia ficar sem uma musa inspiradora. Até Caymmi se rendeu aos seus encantos. Seria eu a desacreditar? Jamais. Me rendo, e com louvor. Na luta diária pedimos clemência à exploração de cada dia e que ninguém negue: é preciso ser guerreiro para enfrentar o trânsito, o caos, a violência, o desamor, as fraudes morais, a falta de grana, então, chega mais Jorge, 23 de abril é aguardado para berrarmos nosso potencial guerreiro e irmos à luta com alguém que nos apadrinhe. Esperamos por você ansiosamente! Para um povo amoroso não poderia faltar, é claro, uma esperança, então, Antônio entra em cena dia 13 de junho e faz a festa. Ufa! Resta alguma esperança aos encalhados de plantão. O coitado ainda se sujeita a ficar afogado, de cabeça pra baixo. Uma baixaria o que se faz com o coitadinho! Dias depois, Pedro, que de bobo não tem nada, não foi à toa que ficou com as chaves do céu, antes de fechar o mês faz a sua festa. Comemoramos o dia das crianças, dos adultos, dos avós, da árvore, de Nossa Senhora. O que buscamos mesmo é "alguma alma mesmo que penada, que empreste suas penas" quando não sentimos mais amor, nem dor, nem nada. Só nos recusamos a perder a fé!
Conselho Atravessar a vida nos exige dom, suor e algum humor.
É preciso requalificar É preciso requalificar, a cada dia, a nossa posição no mundo. É preciso buscar com afinco e afeto nossa ressignificação.
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É preciso requalificar É preciso requalificar, a cada dia, a nossa posição no mundo. É preciso buscar com afinco e afeto nossa ressignificação. Nossa hospedagem no mundo deve ser a de hóspedes esforçados por explorar todas as possibilidades. Faz-se necessário abrir espaço para as nuances de cada pensamento, equilibrando os pratos da balança. Todos os pratos. De todas as balanças. A credibilidade na condição de adulto nunca será concretizada. Ser adulto é um exercício diário e difícil.
Esgrima Não é que eu saiba praticar esgrima. Mas eu sei dispor da minha espada.
Vamos descombinar? A gente caminha pela vida fazendo acertos de todas as ordens. Primeiro são os que se destinam aos pais. Temos a necessidade de deixar combinado nosso compromisso em fazer tudo adequado, certo, dentro do esperado. O esperado por eles, claro.
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Vamos descombinar? A gente caminha pela vida fazendo acertos de todas as ordens. Primeiro são os que se destinam aos pais. Temos a necessidade de deixar combinado nosso compromisso em fazer tudo adequado, certo, dentro do esperado. O esperado por eles, claro. Depois vêm os acertos que fazemos com a vida. Alguns que sequer raciocinamos direito. Mais ou menos como se assinássemos um cheque em branco só porque o credor - vida - nos parece da mais alta confiança. Nem sempre. Será? Com ela combinamos, combinamos, combinamos. Combinamos concluir com êxito os estudos, aprender a nadar, entrar para faculdade, concluir a faculdade, conseguir emprego, falar inglês. A lista não termina porque a vida não terminou. Acertos que fazemos em momentos em que éramos outros. Sim, outros. Escrevendo, me ocorre, sem nenhum planejamento, a letra do Caetano que bem poderia ser dedicada para a vida, num trecho que nos permite algumas leituras e releituras internas... "Você é meu caminho (...) desde o início estava você (...) meu mar e minha mãe, meu medo e meu champanhe. Visão do espaço sideral. Onde o que eu sou se afoga! Meu fumo e minha ioga, você é minha droga, paixão e carnaval... Meu Zen, Meu Bem, Meu Mal (...)" É isso: "onde o que eu sou se afoga!" Na era das combinações o que nós somos às vezes se afogar pelo que fomos, éramos ou pensávamos ser ou pensaram que fossemos. Mesmo que haja alguém com a crença - terrível - de que somos os mesmos desde o útero. Devo dizer que invejo essa pessoa. Ela deve ser bem menos inquieta que eu. Gente que acredita que não mudou nada, por favor, não leia essa crônica. Ela lhes soará como um acinte quando só quer propor um assunto. Não. Não é uma provocação. É uma constatação. Mas, se essa constatação lhe provocar algo, aproveite.
O trabalho que (não) dá ser gente-metade Tenho uma espécie de admiração e desprezo - tudo meio junto - por quem consegue ser "gente-metade". Gente-metade põe o pé no mar na pontinha dos dedos, só para ver se água está fria. Se estiver, geralmente, prefere o chuveiro. Para essa…
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O trabalho que (não) dá ser gente-metade Tenho uma espécie de admiração e desprezo - tudo meio junto - por quem consegue ser "gente-metade". Gente-metade põe o pé no mar na pontinha dos dedos, só para ver se água está fria. Se estiver, geralmente, prefere o chuveiro. Para essa gente, até o mar lhes causa aflição. Tudo o que é grande lhes amedronta. Do mar à gente. Gente-metade não faz distinção. Quando chove, muito insiste em acreditar que debaixo daquela parafernália pequena e inútil, nenhuma gota d'água lhe atingirá. Brigam com os fatos como quem determina com poder os acontecimentos. Gente-metade sente dor por etapas. Primeiro sente pouquinho, depois diz o que sente aos pouquinhos e depois sente muito mais do que diz, aos pouquinhos. Gente-metade tem um privilégio: já nasce pronta. Gente inteira, não. Gente inteira é sempre quase inteira. Quase pronta. Gente inteira está sempre buscando se inteirar. Gente inteira está sempre em construção. Gente inteira precisa sempre de mais obras para se edificar.
Fé Folgo em saber que a estrada é longa. Quem tem fé vai a pé.
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Fé Folgo em saber que a estrada é longa. Quem tem fé vai a pé. Avisa lá que sou dessas que chega longe.
Babados da saia Não adianta querer rodopiar no salão, se não cuidou antes dos babados da saia. Tem gente que é muito rodopio para pouca saia.
Mau caráter Definição de mau caráter: gente que tem aridez em demasia e não transborda, e isso é grave porque até cactos florescem.
Assinatura sobre as coisas Algumas situações durante a vida permitem que tenhamos uma assinatura sobre as coisas. Trata-se de uma espécie de vocação para que tudo tenha uma identidade. O bom e o ruim. Caso você seja alguém que faça essa distinção. Não há o querer identificar a…
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Assinatura sobre as coisas Algumas situações durante a vida permitem que tenhamos uma assinatura sobre as coisas. Trata-se de uma espécie de vocação para que tudo tenha uma identidade. O bom e o ruim. Caso você seja alguém que faça essa distinção. Não há o querer identificar a situação, mas sim a necessidade extra de assinalar com qual identidade a questão se apresenta e por quê. É a imagem focada. É o texto em negrito. É o detalhe assinalado. As questões podem ser anônimas, mas não devem. Há que se tentar integrá-las a algo bem maior e mais interessante para uma análise futura. Importante que se busque o que delas há em você e o quanto de você elas se apoderaram. Uma coisa é certa, ou quase: existe uma correlação entre as questões que se apresentam e as que lhes são apresentadas. É confortável, mas, nada inteligente sentir que há um acaso por trás de tudo. O acaso está à frente. À frente de questões que você busca, se empenha para resolver, mesmo e quando pensa o contrário. Na reclamação há uma busca qualquer latente. Pode ser uma questão propriamente dita. Pode ser apenas a sua maneira de entalhar sua assinatura sobre todas as coisas. Pense nisso.
3. Ora, bolas! Ora, bolas! Mas, quem foi que disse que tomar posição na vida diante da diversidade de pessoas e temperamentos é fácil? Claro que não é. Tomar atitude, seja ela qual for, demanda saber quem se é ou se busca ser.
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3. Ora, bolas! Ora, bolas! Mas, quem foi que disse que tomar posição na vida diante da diversidade de pessoas e temperamentos é fácil? Claro que não é. Tomar atitude, seja ela qual for, demanda saber quem se é ou se busca ser. Não é cômodo, definitivamente, expandir sua personalidade e tomar atitudes que, a contrário senso, podem ser confundidas com qualquer outra coisa que não seja o desnudamento da alma. Afinal, a interpretação depende da alma do outro, que nem sempre está disponível para o exercício da empatia, colocar-se em seu lugar. Mas, que porcaria seremos nós se, ao buscar criar vínculos, estivermos sempre mascarados em busca de uma simpatia ininterrupta? Vale a pena correr o risco? Penso que sim. Que não seja pelo outro, mas por mim. Pela dignidade de encaixar minha fala na minha ação.
Que sentido? A gente tem a terrível educação que nos inclina a achar que tudo deve fazer sentido. Que sentido? Para quem? Sentir sem ter tido? Sentir para ter? Sentir por que teve?
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Que sentido? A gente tem a terrível educação que nos inclina a achar que tudo deve fazer sentido. Que sentido? Para quem? Sentir sem ter tido? Sentir para ter? Sentir por que teve? De qual sentido se trata esse a que estamos subordinados sem nenhuma cláusula de desistência? Dias e noites insones buscando sentido para isso e aquilo. Viver ultrapassa qualquer entendimento, alguém já bem disse. O único sentido que faz algum sentido é sentir. E sentir não é uma questão de explicação, é de sentido. Nossos sentidos. Do primeiro ao sexto, apenas esses sentidos contam. De resto, o que fazemos é conjectura, na infinita necessidade de termos certezas de que estamos certos. Para que mesmo?
Compostura A vida é um conjunto de acontecimentos. Não se podem separar situações de acordo com interesses pontuais. Mesmo em momentos difíceis, é necessário manter a compostura. Sem ela, tudo se perde. Tudo se esvai.