No fundo de tudo há a aleluia.
Frases de Clarice Lispector
1.774 frases
Quero tudo pois nada é bom demais para a minha morte que é a minha vida tão eterna que hoje mesmo ela já existe e já é.
Não a claridade que nasce de um desejo de beleza e moralismo, como antes mesmo sem saber eu me propunha; mas a claridade natural do que existe, e é essa claridade natural o que me aterroriza. Embora eu saiba que o horror – o horror sou eu diante das coisas.
Todo momento de achar é um perder-se a si próprio.
Mas por que eu? Mas por que não eu. Se não tivesse sido eu, eu não saberia, e tendo sido eu, eu soube – apenas isso. O que é que me havia chamado: a loucura ou a realidade?
E morre-se, sem ao menos uma explicação. E o pior – vive-se, sem ao menos uma explicação.
Mas é que nunca fui capaz de perceber as coisas se encaminhando; todas as vezes que elas chegavam a um ápice, me parecia com surpresa um rompimento, explosão dos instantes, com data, e não a continuação de uma ininterrupção.
Sou uma árvore que arde com duro prazer. Só uma doçura me possui: a conivência com o mundo.
Inclusive mais amor inclui uma alerteza maior para achar bonito o que nem mesmo bonito é.
Mas esta não é a eternidade, é a danação.
E tenho, vos asseguro, tudo o mais que faz de mim uma mulher às vezes viva, às vezes objeto.
E, se atravessara o amor e o seu inferno, penteava-se agora diante do espelho, por um instante sem nenhum mundo no coração.
Eu sempre preferi o menos ao mais por medo também do ridículo: é que há também o dilaceramento do pudor.
Minha tendência a indagar e a significar já é em si uma angústia.
Viver é coisa muito séria. É sem brincadeira nenhuma. (...) Nestes momentos de "agora mesmo" estou vivendo tão leve que mal pouso na página, e ninguém me pega porque dou um jeito de escorregar. Tive que aprender.
Só tenho o que sou.
Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.
Água-marinha? meu primeiro namoradinho tinha olhos azuis de água-marinha. Mas eu não chegava perto dele: tinha medo. Porque água quieta é água funda e me dava calafrios.
Tenho me convivido muito ultimamente e descobri com surpresa que sou suportável às vezes até agradável de ser. Bem. Nem sempre.
Estou cansada de tanta gente me achar simpática. Quero os que me acham antipática porque com esses eu tenho afinidade: tenho profunda antipatia por mim. O que farei de mim? Quase nada. [...] Há um limite de se ser. Já cheguei a esse limite.
Eu trocaria uma eternidade de depois da morte pela eternidade enquanto estou viva.
Esperar que algo amadureça é uma experiência sem par: como na criação artística em que se conta com o vagaroso trabalho do inconsciente.
O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe da graça – que se chama paixão.
O verão está instalado no meu coração.