De repente chorava. Já era amor.
Frases de Clarice Lispector
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Minha bondade tem limites: não posso proteger quem me ofende.
Apenas isso: chove e estou vendo a chuva. Que simplicidade. Nunca pensei que o mundo e eu chegássemos a esse ponto de trigo. A chuva cai não porque está precisando de mim, e eu olho a chuva não porque preciso dela. Mas nós estamos tão juntas como a água da chuva está ligada à chu…
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Apenas isso: chove e estou vendo a chuva. Que simplicidade. Nunca pensei que o mundo e eu chegássemos a esse ponto de trigo. A chuva cai não porque está precisando de mim, e eu olho a chuva não porque preciso dela. Mas nós estamos tão juntas como a água da chuva está ligada à chuva. E eu não estou agradecendo nada. Não tivesse eu, logo depois de nascer, tomado involuntária e forçadamente o caminho que tomei – e teria sido sempre o que realmente estou sendo: uma camponesa que está num campo onde chove.
Minha grande altivez: prefiro ser achada na rua. Do que neste fictício palácio onde não me acharão porque – porque mando dizer que não estou, “ela acabou de sair”.
Procuro me manter isolada contra a agonia de viver dos outros.
É absolutamente indispensável que eu seja uma ocupada e uma distraída.
O que me importa são instantâneos fotográficos das sensações – pensadas, e não a pose imóvel dos que esperam que eu diga: olhe o passarinho! Pois não sou fotógrafo de rua.
Quem tem piedade de nós? Somos uns abandonados? uns entregues ao desespero? Não, tem que haver um consolo possível. Juro: tem que haver.
Mas você – eu não posso nem quero explicar – eu agradeço.
Eu peço a Deus tudo o que eu quero e preciso. É o que me cabe. (...) Eu não tenho o poder. Tenho a prece.
Ai que te amo e amo tanto que te morro.
O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar.
Eu só pensava: eu não valho tanto. Daí a pouco já estava pensando: e eu que não sabia que valia tanto.
Uns dias, cheia de tédio, enervada e triste. Outros, lânguida como uma gata, embriagando-se com os menores acontecimentos. Uma folha caindo, um grito de criança, e pensava: mais um momento e não suportarei tanta felicidade. (A bela e a fera – trecho da crônica Gertrudes pede um…
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Uns dias, cheia de tédio, enervada e triste. Outros, lânguida como uma gata, embriagando-se com os menores acontecimentos. Uma folha caindo, um grito de criança, e pensava: mais um momento e não suportarei tanta felicidade. (A bela e a fera – trecho da crônica Gertrudes pede um conselho) E depois ando meio bonita, sem o menor pudor: vem do bem-estar. (A descoberta do mundo – trecho da crônica Facilidade repentina)
Estava rindo, quente, quente.
Quem, como eu, estava chamando o medo de amor? e querer, de amor? e precisar, de amor?
E foi tão corpo que foi puro espírito.
É horrivelmente insípido, meu amor.
Pois há um tempo de rosas, outro de melões, e não comereis morangos senão na época de morangos.
Como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Estou bastante acostumada a estar só, mesmo junto dos outros.
O esquecimento das coisas é minha válvula de escape. Esqueço muito por necessidade.
E doidamente me apodero dos desvãos de mim, meus desvarios me sufocam de tanta beleza. Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca.
Estou com saudade de mim. Ando pouco recolhida, atendo demais ao telefone, escrevo depressa, vivo depressa. Onde está eu?