Eu escrevo para fazer existir e para existir-me. Desde criança procuro o sopro da palavra que dá vida aos sussurros.
Frases de Clarice Lispector
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E “amor” ela não chamava de amor, chamava de não-sei-o-quê.
Em vida, observo muito, sou ativa nas observações, tenho o senso do ridículo, do bom humor, da ironia, e tomo um partido.
Um dia, quando eu tiver mais vontade e se você ainda quiser, eu lhe falarei de como me mexo dentro de Deus.
Eu sonho acordada, mesmo como uma mocinha de quinze anos. É o que se chama de sonho estéril. Imagino conversas, imagino situações e cenas – pareço nunca ter tido nenhuma experiência.
O que eu fiz, apenas, foi ir me obedecendo.
Amar não acaba. É como se o mundo estivesse à minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera.
Então não apanhei no chão o que reluzia. Era ouro, meu Deus. Era ouro, talvez.
Ando de um lado para outro, dentro de mim.
Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.
Ela sentia falta de encontrar-se consigo mesma e sofrer um pouco é um encontro.
Tenho coragem? Por enquanto estou tendo: porque venho do sofrido longe, venho do inferno de amor mas agora estou livre de ti.
Acordei hoje com tal nostalgia de ser feliz.
Tornava-se toda dramática e viver doía.
E eu estava só. Sem precisar de ninguém. É difícil porque preciso repartir contigo o que sinto.
Quero pegar, sentir, tocar, ser. E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério. Sou uma só. (...) Sou um ser. E deixo que você seja. Isso lhe assusta? Creio que sim. Mas vale a pena.
Engulo a loucura porque ela me alucina calmamente.
Tenho pensamentos que não posso traduzir em palavras.
Quando eu penso, estrago tudo. É por isso que evito pensar: só vou mesmo é indo.
E sobretudo há nessa existência primeira uma falta de erro, e um tom de emoção de quem poderia mentir mas não mente. Basta? Basta sim.
Entre o “sim” e o “não” só há um caminho: escolher.
Todos os hábitos são suspeitos.
Você não sabe que revelação foi para mim ter um cão, ver e sentir a matéria de que é feito um cão. É a coisa mais doce que eu já vi, o cão é de uma paciência para com a natureza impotente dele e para com a natureza incompreensível dos outros... E com os pequenos meios que ele tem…
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Você não sabe que revelação foi para mim ter um cão, ver e sentir a matéria de que é feito um cão. É a coisa mais doce que eu já vi, o cão é de uma paciência para com a natureza impotente dele e para com a natureza incompreensível dos outros... E com os pequenos meios que ele tem, com uma burrice cheia de doçura, ele arranja modo de compreender a gente de um modo direto. Sobretudo Dilermando era uma coisa minha que eu não tinha que repartir com ninguém.
E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço.