te amei com tuas sardas, tuas pintinhas, tuas mãos suadas e sem jeito.
teu cabelo bagunçado, teu olhos pequenos, teu sorriso largo, de lado.
te amei com teus erros, tuas misérias e tuas falhas, teus defeitos.
te amei tanto, por me amar tão pouco.
te amei mesmo sem me amar.
te amei mesmo sabendo que não era tão doce te amar.
te amei com teus sabores e dissabores.
e doí. doí porque a solidão e a indiferença são alguns dos piores sentimentos dos seres humanos, doí passar um dia inteiro “vivendo” e chegar em casa e não ter alguém para te perguntar como foi o seu dia, doí porque é apavorante a sensação de abandono, de desprezo, de indiferença, doí perceber que aquela pessoa que fazia parte de todos os seus planos nem conversa mais contigo, doí porque ninguém nem se incomodou em perguntar como eu me sentia, doí se sentir vazio, oco, insuficiente. e acima de tudo, o que doí mesmo é a indiferença das pessoas com a minha dor.
eles dizem que estou vivo, e eu não sinto isso, eu sinto que estou respirando, sinto meu coração batendo aqui dentro e ele doí, sinto meu olhos chorando pelo fim de algo que nem teve um começo, eles dizem que eu estou vivo mas eu não estou, quero dizer, o meu corpo está vivo, é minha alma que está morta.