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Frases de Carolina Pires

63 frases

Sonhei contigo esta noite, aqueceu-me. Senti sua falta ao acordar, esfriou-me. Pus-me a roer as unhas.
Ser meu, ser teu; ser sua. Ela ampla, ela acanhada, ela oscilante, de fato palpável. Olhara da vidraça por inúmeras vezes e dali insignificância avistava. A névoa que a fuligem do cigarro apoiado em seus dedos provocava, cegava seus olhos intensos, impedindo com que notasse o qu…
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Ser meu, ser teu; ser sua. Ela ampla, ela acanhada, ela oscilante, de fato palpável. Olhara da vidraça por inúmeras vezes e dali insignificância avistava. A névoa que a fuligem do cigarro apoiado em seus dedos provocava, cegava seus olhos intensos, impedindo com que notasse o que permanecia ali, em sua frente. De boca em boca, encontrava-se alagada. Fumo, licor, rubro, membro contra membro. Obscuridade, vivacidade resistente dos braços seus, fascinados com braços apetecidos. Imergir em corpo ilhado em cabelos, saliva em contato; as línguas permutadas. Depois não quer, agora diz: seres meu, meu corpo teu; enfim ser sua.

Banho de água gelada. Abrir os olhos e ver que o sol já não ilumina a janela como outra vez, que as rosas não são mais tão galantes, que os tornozelos já não me amparam mais. Ver que as pimentas já não são mais tão picantes, nem mais tão vermelhas, que aquilo que fazia diferença…
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Banho de água gelada. Abrir os olhos e ver que o sol já não ilumina a janela como outra vez, que as rosas não são mais tão galantes, que os tornozelos já não me amparam mais. Ver que as pimentas já não são mais tão picantes, nem mais tão vermelhas, que aquilo que fazia diferença parece estar me deixando para trás. Perceber que o ciúme é o inimigo dos mortais e que não vale à pena doar-se tanto por quaisquer amores.

Hausto. Em meio a murmúrios de versos abafados pelas gargalhadas, encontro-me, minúscula, debilitada por uma hipnose descuidada. Olho a minha volta, melancólico júbilo, ecoei sublimemente, refleti afastada. Egos, ostentações dispersantes, rompidas. Eu, outrora entusiasmada por…
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Hausto. Em meio a murmúrios de versos abafados pelas gargalhadas, encontro-me, minúscula, debilitada por uma hipnose descuidada. Olho a minha volta, melancólico júbilo, ecoei sublimemente, refleti afastada. Egos, ostentações dispersantes, rompidas. Eu, outrora entusiasmada por mãos robustas, pujantes, vigorosas, já amei servilmente, estoicismo era minha dita muda. Hoje não, apenas desejo, ambiciono o acesso dos encantos vedados, um desses cujo desdouro possui a mesma fórmula intensa que o rosto de um idiota. Vou pra casa descansar. Deleitar-me-ei, beberei, traçarei o rum aos grandes tragos.

Rouge. Algumas gotas de álcool, um buquê de rosas vermelhas, um arrepio e pensamentos incontroláveis. Vulnerável, inteiramente fruto dele, prestes a ser tragada em poucas rasgadas. Alguns risos, confidências, beijos, carinhos, abraços - e amassos, deve-se confessar. – E seria tã…
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Rouge. Algumas gotas de álcool, um buquê de rosas vermelhas, um arrepio e pensamentos incontroláveis. Vulnerável, inteiramente fruto dele, prestes a ser tragada em poucas rasgadas. Alguns risos, confidências, beijos, carinhos, abraços - e amassos, deve-se confessar. – E seria tão banal obter tal frêmito com versos ácidos ao ouvido e carinhos no cangote rasgando-lhe a garganta com um gosto de primeira vez, mas com receio de extrema, final, tornou-se um ciclo, permanente, onde só o que o importa é o deleite da carne e não os sentimentos nela submersos. Eles, devassados, compartilham o mesmo teto, saboreiam do melhor vinho, fel, transmitem calores incansáveis e adormecem exaustos, apenas sabendo que o inferno é o máximo.

Ácidos. E obtive sede de sangue. Parada em degraus gastos arrepiei-me ao sentir a loucura escorrendo em minhas veias. Olhei aquela carcaça imunda que exalava inveja por todos os poros e percebi minhas garras alongarem-se em direção àquela jugular. Eu a mataria, juro que mataria,…
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Ácidos. E obtive sede de sangue. Parada em degraus gastos arrepiei-me ao sentir a loucura escorrendo em minhas veias. Olhei aquela carcaça imunda que exalava inveja por todos os poros e percebi minhas garras alongarem-se em direção àquela jugular. Eu a mataria, juro que mataria, apenas por despeito.

Golpe. Aquele álcool que viajou por minhas veias, retardou meus reflexos, fez-me deliciar nos graves braços do ignorado que me beijando os lábios calou-me as palavras. Larguei por distração. Ouso dizer que algo me prende onde não deveria. O odor de fumo encravado em meus fios de…
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Golpe. Aquele álcool que viajou por minhas veias, retardou meus reflexos, fez-me deliciar nos graves braços do ignorado que me beijando os lábios calou-me as palavras. Larguei por distração. Ouso dizer que algo me prende onde não deveria. O odor de fumo encravado em meus fios de cabelo relembra-me do instante em que virei deixando marcas de batom; joguei-me de cara aberta, sem minha espada e armadura, pensando no ineficaz, abocando em mim uma cobiça daquele corpo, desejo frígido, consternação, com uma breve pretensão de assassinar, trucidar por despeito. Sinto-me obtusa.