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Frases de Carlos Daniel Dojja

138 frases

⁠"...Germinei-me de um olhar. Estou indo-me a brotar, obreiro de amanhecimentos...”
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⁠"...Germinei-me de um olhar. Estou indo-me a brotar, obreiro de amanhecimentos...” Carlos Daniel Dojja

⁠Reflexão do Aprendizado A vida nos ensina amares. Mel que desliza como neve nos sulcos do chão estendido.
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⁠Reflexão do Aprendizado A vida nos ensina amares. Mel que desliza como neve nos sulcos do chão estendido. Entrelaçamos as mãos com a doçura da alegria construída. Colhemos o facho de luz como fruto da semente nova que se principia. A vida nos ensina desvelar o que se enxerga no que se guarda no olhar. Como se o afeto fosse feito minúscula gotícula, que mansamente se entorpece e vai se estendendo do céu em ritmo compassado, fixando-se na ramagem esverdeada da planta, até cuidadosamente novamente cair sobre a terra e começar a possuí-la. Então uma pequena gota torna-se capaz de amadurecer a mais profunda raiz. A vida nos ensina que o afeto é um apreender de profundidades reveladas. In Poemas para Versar

⁠INQUIETAÇÃO Insisto-me entre a inquietação e o quase extinto. Quando saio de mim, rumores restauram procura.
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⁠INQUIETAÇÃO Insisto-me entre a inquietação e o quase extinto. Quando saio de mim, rumores restauram procura. Me parto compassado, a estiar anseios, na vigia. Abro-me em clareiras, soergo esperas, às vezes me avisto. Enxergo o que entrementes não desbota, na audácia. Pungidos olhares, fração reflexa, reverbero esquecimento. Não me apraz desconhecer. Não me entristece distinguir. Posso imolar finais prescritos, acontecer-me de outro. Descreio que a finitude nos reserve, Apenas nada na transcendência de tudo. Tenho que viver-me como quem se conta, Alembrado da existência que exprime. In Poemas para Versar

⁠Palavra Revelada A palavra me advinha. Moinho ou ferro,
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⁠Palavra Revelada A palavra me advinha. Moinho ou ferro, Cisma ou canto. Funda ou rasa, Na tangente emerge. A palavra me assola, Adverte, reverte, inala. Como se finda fala, No escasso do encanto, reverbera. De si reemerge, na margem liberta. A palavra se assanha. Sangra, se entorpece. De mim não cala, se desvela, Se ao surgir irrompe, revelada. Carlos Daniel Dojja

⁠Mãe Mãe é mão estendida por entre o tempo. Cantiga que ressoa no ir e vir do percurso.
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⁠Mãe Mãe é mão estendida por entre o tempo. Cantiga que ressoa no ir e vir do percurso. Acalanto que fica na vivência erguida. Braço estendido para além do sim e do não. Embora se cresça em tamanho e fazeres, Mãe é farta em entremear escolhas, Deixando-nos o amar sem punição, Que nos faz ser em cada acolhida. Mãe é terra que em nós frutifica, Tornando-nos sementes de superação. É voz que fica na memória sentida, Tramada de ternura no balbuciar da vida. Mãe é ventre que embala o que nasce. Que do pão se reparte mesmo que falte, Como fermento de amor que sempre fica. Mãe é palavra maior, que se entrelaça no coração.

⁠Comentário sobre a Língua Portuguesa: Em nossa língua oração é construída ao verbo. O sujeito está então sentenciado.
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⁠Comentário sobre a Língua Portuguesa: Em nossa língua oração é construída ao verbo. O sujeito está então sentenciado. Numa conjunção de tempos passados, presentes e futuros, Onde se mesclam adjetivos e a vírgula fica ao lado. Mas eu confesso que busco os substantivos, sem desprezar os predicados. E quando me ponho a tecer frases exclamativas ou declarativas, vem-me as imperativas, a interrogar-me sobre as optativas que se depreendem na singularidade. Faço oração para encontrar o sujeito absoluto em sua simplicidade. Aprendi assim à oxítona amar e a expressão única da saudade.

⁠Quando enxergamos o mundo em que vivemos e o sentimos. Somos tomados por duas vertentes potentes. A sensibilidade mostra-nos o que deve ser percebido, e em olhando para além das aparências, aprofundarmo-nos como a raiz na terra.
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⁠Quando enxergamos o mundo em que vivemos e o sentimos. Somos tomados por duas vertentes potentes. A sensibilidade mostra-nos o que deve ser percebido, e em olhando para além das aparências, aprofundarmo-nos como a raiz na terra. Daí advém a capacidade de sentirmo-nos encorajados a semear mudanças. Reflexão sobre o Dia Mundial da Terra

⁠QUANDO TE SONHO Quando me aposso da noite do sonho, Os pés do mar correm em ondas,
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⁠QUANDO TE SONHO Quando me aposso da noite do sonho, Os pés do mar correm em ondas, E querem se aformosear em teus passos. Tornam-se seixos encravados em tua espera. Na terra os braços do vento te acariciam. Matizam-se de cores para ornar teu ventre. Tua boca me incita, Ao não desver o querer imaginado. Não desperto. Cubro-me de ousadia. Continuo te inventando, Antes que desenleie o dia da saudade, Entre uma e outra possível eternidade.

⁠"....Fiz até uma promessa, que vivo a suplicar. Quando minha hora chegar, Esperem a noite alta e me joguem inteiro no mar.
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⁠"....Fiz até uma promessa, que vivo a suplicar. Quando minha hora chegar, Esperem a noite alta e me joguem inteiro no mar. Vou virar mistura de lama, coberto de calcário, envolto de sal, Para nascer como pedra, estendido a beira mar. Então, nem queira saber, que alegria será, Eu me vivendo banhado de ondas, a relembrar, Toda a vida que viceja, quando se descobre um olhar...." Fragmento Poema O QUE JOÃO ME CONTOU - Em homenagem a João que já virou Pedra no Mar do Sul

⁠Indagação E se todas as matas tombarem. Todas as águas turvarem-se de fel e cinzas.
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⁠Indagação E se todas as matas tombarem. Todas as águas turvarem-se de fel e cinzas. Todas as nuvens perderem o céu. Se a terra for pisada pelo fogo, E a lua, o sol, o vento, não mais encontrarem os homens. Quando não mais amanhecer a natureza da vida, Qual o dia que ficará, para os que perderam a memória do mundo?

⁠Dúvida do ar Duvido do ar, que não circula,
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⁠Dúvida do ar Duvido do ar, que não circula, por entre paredes. O ar calmo, passivo, não se tornará brisa, tão pouco vento em rotação. O ar reprimido, deixará as paredes ruírem, tornarem-se velhas casas, com ervas crescidas no jardim. Tenho receio deste ar, que nos mantem sobrevividos, mas que não nos permite, experimentar a existência.