"...Germinei-me de um olhar. Estou indo-me a brotar, obreiro de amanhecimentos...”
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"...Germinei-me de um olhar. Estou indo-me a brotar, obreiro de amanhecimentos...” Carlos Daniel Dojja
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"...Germinei-me de um olhar. Estou indo-me a brotar, obreiro de amanhecimentos...”
"...Germinei-me de um olhar. Estou indo-me a brotar, obreiro de amanhecimentos...” Carlos Daniel Dojja
Reflexão do Aprendizado A vida nos ensina amares. Mel que desliza como neve nos sulcos do chão estendido.
Reflexão do Aprendizado A vida nos ensina amares. Mel que desliza como neve nos sulcos do chão estendido. Entrelaçamos as mãos com a doçura da alegria construída. Colhemos o facho de luz como fruto da semente nova que se principia. A vida nos ensina desvelar o que se enxerga no que se guarda no olhar. Como se o afeto fosse feito minúscula gotícula, que mansamente se entorpece e vai se estendendo do céu em ritmo compassado, fixando-se na ramagem esverdeada da planta, até cuidadosamente novamente cair sobre a terra e começar a possuí-la. Então uma pequena gota torna-se capaz de amadurecer a mais profunda raiz. A vida nos ensina que o afeto é um apreender de profundidades reveladas. In Poemas para Versar
INQUIETAÇÃO Insisto-me entre a inquietação e o quase extinto. Quando saio de mim, rumores restauram procura.
INQUIETAÇÃO Insisto-me entre a inquietação e o quase extinto. Quando saio de mim, rumores restauram procura. Me parto compassado, a estiar anseios, na vigia. Abro-me em clareiras, soergo esperas, às vezes me avisto. Enxergo o que entrementes não desbota, na audácia. Pungidos olhares, fração reflexa, reverbero esquecimento. Não me apraz desconhecer. Não me entristece distinguir. Posso imolar finais prescritos, acontecer-me de outro. Descreio que a finitude nos reserve, Apenas nada na transcendência de tudo. Tenho que viver-me como quem se conta, Alembrado da existência que exprime. In Poemas para Versar
Palavra Revelada A palavra me advinha. Moinho ou ferro,
Palavra Revelada A palavra me advinha. Moinho ou ferro, Cisma ou canto. Funda ou rasa, Na tangente emerge. A palavra me assola, Adverte, reverte, inala. Como se finda fala, No escasso do encanto, reverbera. De si reemerge, na margem liberta. A palavra se assanha. Sangra, se entorpece. De mim não cala, se desvela, Se ao surgir irrompe, revelada. Carlos Daniel Dojja
Mãe Mãe é mão estendida por entre o tempo. Cantiga que ressoa no ir e vir do percurso.
Mãe Mãe é mão estendida por entre o tempo. Cantiga que ressoa no ir e vir do percurso. Acalanto que fica na vivência erguida. Braço estendido para além do sim e do não. Embora se cresça em tamanho e fazeres, Mãe é farta em entremear escolhas, Deixando-nos o amar sem punição, Que nos faz ser em cada acolhida. Mãe é terra que em nós frutifica, Tornando-nos sementes de superação. É voz que fica na memória sentida, Tramada de ternura no balbuciar da vida. Mãe é ventre que embala o que nasce. Que do pão se reparte mesmo que falte, Como fermento de amor que sempre fica. Mãe é palavra maior, que se entrelaça no coração.
Comentário sobre a Língua Portuguesa: Em nossa língua oração é construída ao verbo. O sujeito está então sentenciado.
Comentário sobre a Língua Portuguesa: Em nossa língua oração é construída ao verbo. O sujeito está então sentenciado. Numa conjunção de tempos passados, presentes e futuros, Onde se mesclam adjetivos e a vírgula fica ao lado. Mas eu confesso que busco os substantivos, sem desprezar os predicados. E quando me ponho a tecer frases exclamativas ou declarativas, vem-me as imperativas, a interrogar-me sobre as optativas que se depreendem na singularidade. Faço oração para encontrar o sujeito absoluto em sua simplicidade. Aprendi assim à oxítona amar e a expressão única da saudade.
Quando enxergamos o mundo em que vivemos e o sentimos. Somos tomados por duas vertentes potentes. A sensibilidade mostra-nos o que deve ser percebido, e em olhando para além das aparências, aprofundarmo-nos como a raiz na terra.
Quando enxergamos o mundo em que vivemos e o sentimos. Somos tomados por duas vertentes potentes. A sensibilidade mostra-nos o que deve ser percebido, e em olhando para além das aparências, aprofundarmo-nos como a raiz na terra. Daí advém a capacidade de sentirmo-nos encorajados a semear mudanças. Reflexão sobre o Dia Mundial da Terra
"...Não existe o olhar do ver, sem o coração de ser..."
"...Cada palavra que teço, é para ouvir outras vozes, anunciadas nas esperas,
"...Cada palavra que teço, é para ouvir outras vozes, anunciadas nas esperas, em que me refaço nos pés do tempo..."
A palavra amadurece no silêncio. Como a alma, que se desnuda, quando tocada.
Porque a gente se nasce, depois de uma ausência de antes.
Eu gosto dessa parecença almejada de alma. As vezes tento ficar parecido, com o que deseja meu ser.
QUANDO TE SONHO Quando me aposso da noite do sonho, Os pés do mar correm em ondas,
QUANDO TE SONHO Quando me aposso da noite do sonho, Os pés do mar correm em ondas, E querem se aformosear em teus passos. Tornam-se seixos encravados em tua espera. Na terra os braços do vento te acariciam. Matizam-se de cores para ornar teu ventre. Tua boca me incita, Ao não desver o querer imaginado. Não desperto. Cubro-me de ousadia. Continuo te inventando, Antes que desenleie o dia da saudade, Entre uma e outra possível eternidade.
"... Não quero a prudência, do silêncio que não ressoa. Vou inventar-me de sonhos,
"... Não quero a prudência, do silêncio que não ressoa. Vou inventar-me de sonhos, ainda não vistos..."
" Apanhamos a noite entre as mãos, E nela bordamos estrelas. Num céu tecido,
" Apanhamos a noite entre as mãos, E nela bordamos estrelas. Num céu tecido, Por nossos olhos alumbrados".
Se me encontrares, Na rua ou numa canção ao vento, Deixa a semente de tua boca,
Se me encontrares, Na rua ou numa canção ao vento, Deixa a semente de tua boca, Tecida em mim num lampejo.
"...Quando teus olhos me desnudaram, Vesti-me com a pele do teu afeto..."
"....Fiz até uma promessa, que vivo a suplicar. Quando minha hora chegar, Esperem a noite alta e me joguem inteiro no mar.
"....Fiz até uma promessa, que vivo a suplicar. Quando minha hora chegar, Esperem a noite alta e me joguem inteiro no mar. Vou virar mistura de lama, coberto de calcário, envolto de sal, Para nascer como pedra, estendido a beira mar. Então, nem queira saber, que alegria será, Eu me vivendo banhado de ondas, a relembrar, Toda a vida que viceja, quando se descobre um olhar...." Fragmento Poema O QUE JOÃO ME CONTOU - Em homenagem a João que já virou Pedra no Mar do Sul
Indagação E se todas as matas tombarem. Todas as águas turvarem-se de fel e cinzas.
Indagação E se todas as matas tombarem. Todas as águas turvarem-se de fel e cinzas. Todas as nuvens perderem o céu. Se a terra for pisada pelo fogo, E a lua, o sol, o vento, não mais encontrarem os homens. Quando não mais amanhecer a natureza da vida, Qual o dia que ficará, para os que perderam a memória do mundo?
“...Temos que aprender a ouvir, O ainda desamanhecido na boca do dia, E que se traduz no falar de cada voz,
“...Temos que aprender a ouvir, O ainda desamanhecido na boca do dia, E que se traduz no falar de cada voz, A escorrer no tempo que nos habita. Porque ao longo do percurso, Não há silêncio que não desperte...”
"... Uma parte de nós necessita, de um sempre outro dia, Para ir-se indo a esperançar.
"... Uma parte de nós necessita, de um sempre outro dia, Para ir-se indo a esperançar. A esperança precisa de gente para lhe dar pés e olhos..."
Dúvida do ar Duvido do ar, que não circula,
Dúvida do ar Duvido do ar, que não circula, por entre paredes. O ar calmo, passivo, não se tornará brisa, tão pouco vento em rotação. O ar reprimido, deixará as paredes ruírem, tornarem-se velhas casas, com ervas crescidas no jardim. Tenho receio deste ar, que nos mantem sobrevividos, mas que não nos permite, experimentar a existência.
" Não me apraz desconhecer. Insisto-me inquietação. Posso imolar finais prescritos.
" Não me apraz desconhecer. Insisto-me inquietação. Posso imolar finais prescritos. Abrir-me clareiras, nas esperas"
De que tempo falo Falo de um tempo sem data, e dele me reinvento.
De que tempo falo Falo de um tempo sem data, e dele me reinvento. Do que hoje verso em mim já houve. Foi o melhor que colhi e ainda planto, o que amanhã é passado. Assim semeio: O que é ausência e o que reparto