Nessa terra de gigantes,
meu olhar é estrangeiro,
meu falar de forasteiro
preso em belos horizontes.
Quem me enxerga um salta-montes,
desconhece meus desejos
e tropeça em meus traquejos.
Em cada recomeço, sentimentos.
Certezas e mistérios dançam,
e a cada novo passo, um novo eu.
Em cada jornada, crescimentos.
Sorrisos e tropeços, cantam,
onde tudo era cinza, a flor nasceu.
Prontos ou não, lá vou eu.
Empurrando a embarcação.
Meu silêncio é a canção
que no sonho se perdeu.
E o tempo que nunca foi meu,
pintou meus cabelos de velho.
Me fez renascer no afélio.
Seria o fim se não fosse a esperança.
Nem sempre quem cala consente.
nem sempre o sorriso é contente,
mas a dor sempre perde pra dança.
Melhor mesmo é ser criança,
lambuzada de inocência,
que vive de tudo, menos de aparência.
Os olhos são janelas.
Pensamentos, vielas.
E todo sentimento
surge e vai como o vento
que não se pode controlar.
Onde é mesmo o meu lugar?
Eu que sempre fui metade,
preso em plena liberdade.
Às vezes eu sou o avesso,
de tudo que acredito e sonho.
Outras vezes enlouqueço
e diminuo o meu tamanho.
Mas depois, permito e cresço.
Realinho os "emaranhos".
Logo então eu me aqueço,
vivo em seus olhos castanhos.