Eu preciso te dizer agora, o que nunca disse antes...faz muito tempo, eu sei!
Temi tanto a sua partida, que parti primeiro...foi isso
Era insuportável ficar longe de você
Insuportável imaginar todas as possibilidades de você decidir não mais ficar comigo
Insuportável esperar
E de verdade, acreditei que era essa a solução e que depois de um tempo tudo se normalizava
E a verdade é que nunca foi normal, nunca!
Nunca foi igual a nada, nem durante, nem depois, nem agora.
E eu nunca soube como explicar você pra mim, nunca soube me entender em você, era simplesmente intenso e indecifrável!
É como se eu tivesse me encontrado em você e essa ideia me assustava demais...eu não estava pronta para "nós".
Me fala
O que você faz com tudo isso?
Onde você coloca?
Fala que pra você tudo isso some
Fala que a culpa é da minha intensidade
Fala que é apenas isso
Fala...apenas fala
Ela sabe dos meus esconderijos
Ela sabe onde me encontrar
Ela sabe onde se esconder
Ela sabe onde me enfraquece
Ela sabe não permanecer
E mesmo assim nunca deixar de estar sempre perto
Ambivalente contato
Ambivalente conexão
Ao mesmo tempo que me faz bem
Provoca culpas, inquietações
Me deixa reflexiva
Será que você também sente assim?
Será que fica tão inquieto quanto eu?
Será que evita para não multiplicar?
Será que sabe em qual direção eu não estou?
Será que sabe como não pensar em mim?
Será que essas tentativas funcionam?
Será que há algo de certo em tantas incertezas?
Será que há algo de errado com isso tudo?
Será que existe algo além do que se pode ver e prever?
Será que as minhas perguntas são as mesmas que as suas?
Será que você faz tudo isso só para ter certeza de que ainda estou aqui?
Será que é apenas para me inquietar?
Uma vida inteira para perceber
Um sem fim de tempo para entender
Até sentir o que você sentiu
Até viver o que você viveu
O possível é realmente um bálsamo
O palpável é de fato um acalento
Um descanso para um coração
Cansado de viver em guerra contra
Si mesmo
Fala que é mentira
Fala que isso tudo não te confunde
Fala que pra você é simples
Fala que não é o que parece ser
E que se mantém sóbrio o tempo todo
Fala que a insanidade nunca te tocou
Que teus sentidos não te imploram por mim
Fala, só fala
E acaba com esse silêncio ensurdecedor
Me apaixonei pelo rabiscar
Pelo derramar da tinta
Pelas entrelinhas
Rabisco pensamentos
Histórias de mim
Palavras que ouvi
Não temporalidade
Ou lógica
Apenas fluir
Essa é a minha liberdade
Em momentos assim
Eu não sei o que fazer comigo
Com a minha impermanência
inconstância
Não sei como nomear
Profundidades ou abismos
Amor pela melancolia
Minhas brechas
Meus esconderijos de mim
Do mundo, não sei
É quase um assombro
Uma escuridão
Meu amor pelo movimento
Minha reinvenção de mim.