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Frases de Anna Flávia Schmitt

1.152 frases

Nas esquinas das ruas e das nossas memórias, fazia sol o chuva,
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Nas esquinas das ruas e das nossas memórias, fazia sol o chuva, O sorriso era gratuito até quando íamos buscar o prêmio escrito no palito. Sempre debaixo do guarda-sol para carrinho de picolé, vendendo sorvetes ou balas, Era ponto de orientação para voltar para casa: tudo muda, o tempo passa... Vendo gerações crescer ou até mesmo se casar, Nunca mais vi nenhum por onde tive de passar, O sorveteiro virou história para muita gente lembrar.

Nas auroras sob a tua porção do Hemisfério Norte, onde tens porto seguro,
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Nas auroras sob a tua porção do Hemisfério Norte, onde tens porto seguro, Prometo de ler como quiser, e basta somente dizer. quando e do jeito que quer. Exatamente como o florescer da Chuva-de-prata que não pede sequer licença, ainda sem definitiva sentença. O que será ou não será, somente o futuro irá dizer; Não tenho nenhuma pressa de como irá ser; Porque eu sei o que sou capaz de contigo fazer. Não há nada que desvie o que é para ser, As oscilações são sinais de que o amor está a envolver.

Não temer nenhum risco, num lugar secreto de ser o universo,
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Não temer nenhum risco, num lugar secreto de ser o universo, e com os dois pés na terra, com o peito aberto. Assumir de tudo um pouco, sem reserva, e entre dois mundos — selar a convergência com lábios mudos. De um pacto semeado sem nenhum pleonasmo, arcando ser de um jardim oriental: todas as frutas mais doces e macias para alimentar, com delícias infindas, a sua liberdade de tão linda ave.

Não existe nenhuma distância segura de mim; pertenço ao coração,
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Não existe nenhuma distância segura de mim; pertenço ao coração, à alma e ao pensamento. No outono catarinense, sou a flor persistente do maracujá-silvestre descoberta em maio. Do sagrado ao abrir e fechar dos teus olhos, a insurgente favorita e inabalável enigma. Cada nova defesa vira um brinquedo novo; não me desmotiva e alimenta a adrenalina. Não nego que não exista a emergência de amor, embora a sedução convide para o que não é só fantasia.

Com os olhos e o coração voltados para Deus e o Hemisfério Celestial Sul,
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Com os olhos e o coração voltados para Deus e o Hemisfério Celestial Sul, Sempre recebo borboletas como as melhores companhias, A minha voz empresto sempre a quem precisa nesta vida. Livros, papel, caneta e poesia, forte ligação com a Natureza e com a minha Pátria nativa, A influência indígena sempre mantenho viva desde pequenina: Assim fui, sou e sempre serei, mantenho inquebrável esta grei.

Desta novela não há nenhuma novidade. Nos seus capítulos
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Desta novela não há nenhuma novidade. Nos seus capítulos só resta crueldade. Não tem nada a ver com teoria conspiratória: a poesia também serve à memória histórica. Matam e sequestram a solidariedade de uns no vasto mar da Humanidade. Amanhã voltam os tempos em que muitos foram sequestrados dos berços. Sem nenhum arre(medo), isto é só o começo do que nunca deveria outrora ter iniciado e que agora, diante dos olhos e debaixo dos narizes, está sendo requentado.

O Mangue-vermelho Simplesmente ser como um Guará sob a proteção do Mangue-vermelho,
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O Mangue-vermelho Simplesmente ser como um Guará sob a proteção do Mangue-vermelho, da vida não ter nenhum medo, Viver não pede receita de bolo ou segredo; No Mangue-vermelho se proteger, nutrir e com confiança viver; e adiante, no curso, com coragem seguir. Se permitir ser couro a ser curtido e pintado pelo Mangue-vermelho, Não ter nenhum vínculo passado, orgulhar de ter as raízes expostas, deixarque a ciência encontre a cura e não se fazer em tudo --- absoluta. Ser paciência pura com gente dura, que não enxerga um palmo adiante do nariz, como o Mangue-vermelho, ser refúgio feliz, mesmo quando não for visto como merecido, dizer com honra para sim: - Eu existo, e resisto.

Senhora de toda a poesia Somos de muito longe, mas não distantes,
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Senhora de toda a poesia Somos de muito longe, mas não distantes, Não importa o quanto tempo demore, Estamos do lado de dentro no coração e no pensamento. O quanto deverei caminhar e quantos degraus irei subir, Não intimida e nem desmotiva. A minh'alma feminina pela tua se encantou, deseja ser cativa, e senhora de toda a poesia.

Pouco a pouco, paulatinamente, fui crescendo profundamente. Encontrei-me por dentro contigo
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Pouco a pouco, paulatinamente, fui crescendo profundamente. Encontrei-me por dentro contigo de maneira surpreendente no destino. Exatamente onde Ocidente e o Oriente, se entrelaçam interminavelmente, porque coincidem todos os motivos que ainda sequer por nós foram ditos, e mesmo sem dizer nenhuma palavra, há mais de uma emoção celebrada. Em mim encontraste intensidade, feminilidade, mistério e imensidade; Sobre nós dois o céu da Humanidade e tudo o que não pode ser mudado. Com cada uma das minhas nuances capturei e finquei profundas raízes como as de um conhecido cipreste milenar que enfeita, sombreia e perfuma o seu ar; Ainda cedo celebro o fascínio, o encontro, a glória do amor, a vitória e a verdade.

Permitir todas as chances dos três tipos de mangues no peito se enraizarem
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Permitir todas as chances dos três tipos de mangues no peito se enraizarem com várias coragens da liberdade conhecer, crescer, procriar e revoar: Não permitir que nada venha a te dominar. Criar brio e asas de guará, mescladas com as auroras matutina e vespertina do Hemisfério Celestial Sul, sem preocupação se há alguma rima óbvia ou não: Resgatar com todo o coração, o deslumbramento e a poesia sempre a cada nova estação.

Mangue-Branco No sobrevoo do Guará, entre a restinga e o manguezal,
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Mangue-Branco No sobrevoo do Guará, entre a restinga e o manguezal, desvela-se, serena e clara, a certeza que não se desfaz: O Mangue-Branco floresce com branca e obstinada beleza, com suas glândulas de sal bebendo o amargo com a certeza da cura em terra brasileira. Aqui, no nosso chão, segue imutável a ordem natural. Muitos tentam rompê-la, e sempre se darão muito mal. É prova viva de que a vida é mais forte que a morte. Não é só questão de norte nem mero capricho da sorte. Nascemos libertados, nossa raiz é forte; e está para nascer a hoste, para alcançar e tombar todo o que contra a vida se levantar.

Mangue-botão Algo em mim faz a transição, o ponto onde o mar desiste,
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Mangue-botão Algo em mim faz a transição, o ponto onde o mar desiste, Insistindo em ser a imensidão tendo tudo a ver quando a terra começa a vencer: Do jeito exato do Mangue-botão onde reinam cada um dos três mangues que crescem, abrigam e a vida nutrem. Sem sequer tocar na lama, os mangues roçam na contemplação profunda d'alma humana que possui asas guarás, e se reserva do que não liberta. [Sem deixar de lado o coração enraizado na própria terra].

Alma de Tuiuiú no ninho do mês de maio, que da poesia ostenta --- o mais sagrado, Onde o desabrochar das flores dos ipês-rosa
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Alma de Tuiuiú no ninho do mês de maio, que da poesia ostenta --- o mais sagrado, Onde o desabrochar das flores dos ipês-rosa como preces recordam a promessa amorosa. Promessa que foi cumprida e floriu no lugar que foi enterrado o heroico guerreiro indígena; Como prova de amor para a sua amada além da vida que hoje enfeita a nossa vista. Desta e de tantas recordações que a memória resgata com particular lírica se finca a história, para se envaidecer e honrar de cada glória. Para que legados entre os dedos não escorram, para de tudo o que importa por nada nem ninguém tenha nenhum poder de fazer que a gente desista.

Maio floresce com os ipês sob o Hemisfério Austral, assumo a minha urgência
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Maio floresce com os ipês sob o Hemisfério Austral, assumo a minha urgência que também floresce igual. De silêncio em silêncio, o coração sentimental, indomado e brejeiro: é puro desejo total. Venha sem demora, porque florescer requer companhia sem hora. Maio abrirá a porta secreta e estenderá o paraíso e a sua aurora.

Como quem de cima do seu próprio cavalo, enxerga o chão sagrado
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Como quem de cima do seu próprio cavalo, enxerga o chão sagrado que o abriga e sustenta, Vê tudo com clareza, incluindo a vil vileza, Com toda a sutileza, espírito de galpão e tropa e chimarrão na mão. Não nego a herança filial do vento pampeiro que ninguém controla, De Sul a Sul balança o ipê-roxo-de-sete-folhas em preparação, em maio, para a sagração da absoluta floração. Das raízes ao coração, fincadas as origens com apego a este chão, Carrego alma briosa de Sepé Tiaraju, que não permite que a História sofra mais alteração. A herança de qualquer povo ninguém retira, independente de quem ali guia, porque, gostando ou não, quem manda passa, e o povo fica.