Trazer consigo algo
de Rio Chucunaque,
manter a tranquilidade,
não se deixar levar
por aquilo que abale,
e te dar toda a liberdade.
Deixar o coração falar
sempre mais alto,
e o seu amor sussurrar
baixo no ouvido,
sob ou não uma
Árvore de Panamá.
Atrair você todinho
ao som de Tamborito,
e quando houver
silêncio encostar
o seu sorriso no meu,
e assim dizer que
tudo em mim é teu.
Teu corpo, que cobiço,
e que ainda não tenho,
põe um doce suplício
no ritmo de Kaseko,
em agitação máxima,
alucinante e contagiante,
diante do Rio Suriname.
Capaz de fazer o desejo
virar orgulho e assunto
na primeira página em Paramaribo,
por fina ironia do destino.
Sob uma palmeira-real,
fazemos juras de amor
neste continente austral;
nunca conheci alguém
capaz de fazer algo igual.
Não sei se havia
me visto antes,
Não tenho costume
de guardar datas,
Tem um bom tempo
que ele ocupa
o meu pensamento,
Ele é o mistério da década,
Talvez ele seja poeta
e nem tenha descoberto.
Quando o fez,
ele mexeu comigo,
não tenho dúvida
que ele tem algo de divino.
Rodeio e o Pico do Montanhão: Raízes, Memória e Poesia
Na linda Rodeio, doce cidade,
onde há uma parte enraizada,
pois nela o meu avô foi frade.
Nunca estive de passagem,
embora tenha a herança da imigração,
que a resgato sempre com paixão.
Tenho morada e poesia fincada
com o coração sobre as linhas
do magnífico Pico do Montanhão.
Qualquer afirmação contrária
pertence somente a quem
desconhece de onde veio.
[Tenho certeza: não conhece
nenhum pouco a minha história direito.]
A ventania toca Calypso
no frondoso Greenheart.
Perceber o amor no caminho,
e desejar você não é tarde.
Pedir que o tempo pare
sob o céu austral aberto,
para que a gente desfrute
do amor com imensidade.
Não será pedir você demais
ao tempo de espera,
com querer que não desfaz.
Para que o amor conosco fique,
que não se limite e sem se deter
com o que os outros irão dizer.
Foi alguém que não sei o nome,
não sei o rosto, não sei a direção,
não sei o entorno, não sei de nada.
Somente sei que com distância,
anonimato, imenso silêncio
e uma inteligência insana:
Ocupa minha mente inteira
do tamanho da Via Láctea.
O teu coração com o meu
tocam em ritmo de Aléké
em tempo de Sumaúma
eflorescida bem na beirinha
do majestoso Rio Maroni,
nada teu não mais se esconde,
o meu beijo toca a tua fronte.
Tudo na cena nos coloca
sem nenhuma resistência
nos colocam em reverência,
e não se preocupar mais
com roteiros e decência
põe um nos braços do outro.
A noite vestida perfeita
com a cor dos negros da floresta
por nós acende em inteira festa
as estrelas para nos receber
com gala na Guiana Francesa,
sedutoramente a gente se corteja
com todo o intenso desejo
que pelos nossos poros flameja.
O toque do fim do mundo
ou próximo disso, não tememos.
Unidos pelo amor profundo
até o último passo dançaremos;
para do jeito mais absoluto
para o oceano de fogo, nascemos.
Pouco a pouco os sinais
e as cartas que não foram
enviadas estão sendo
colocadas todas na mesa,
Não é apenas um simples
interesse com certeza.
No Hemisfério Sul é só
o primeiro dia de agosto,
Do sabor da grumixama
quero partilhar o gosto
aos beijos, a chama,
e tudo o que nos ufana.
Próprio do tempo invernal
olhamos para dentro,
em total enamoramento
o andor, o ritmo e o desejo
estão em transbordamento,
Não falta muito para viver
a nossa real história de amor.
Quando se é por muito tempo invisível,
e só te põem no último lugar seja lá
qual for o motivo o melhor é não se iludir;
És o teu magnífico caminho a seguir,
não perca tempo com o que tende a se esvair.
Você não tem o dever de distrair o tédio,
de ser para o emocional o analgésico
ou de preencher o vazio de ninguém;
Não tenha dúvida que o melhor mesmo
é ficar na sua para o seu próprio bem.
Abra os seus olhos para a beleza e a delicadeza,
permitindo que a florada da Imbuia cubra
todo o seu caminho porque és em todas
as estações a sua melhor companhia;
Para que não perca por causa de quem quer
que seja a sua confiança e a sua alegria.
Esteja de prontidão para que o melhor da vida
te encontre de prontidão para viver o amor
de corpo, alma e coração com integridade;
Se proteja de verdade mesmo que na solitude
te coloquem contra a parede, que os anos passem
ou até que façam você que agora já é tarde.