Sob a Aroeira-do-campo
esplendente em flor,
De ti declaro o maior
e o mais profundo orgulho.
O teu coração que é tudo,
esbanjando muito amor,
Da vida não peço ou preciso
de mais nada por onde eu for.
Na Via Láctea está escrito
que acontece também contigo
embora ainda que contido,
O rosto não consegue ocultar
tudo o que você está sentindo.
Romperam o silêncio o galo cantando,
os passarinhos no meio da mata,
e o sino da Igreja Matriz São Francisco,
com a sua forte e contagiante badalada,
chamando a nossa vontade indomada.
A neblina repousando com o seu véu
de fada bem no meio da madrugada,
acordando lenta neste silêncio em Rodeio
dos jogos de poder e dos circos de horrores,
dos ruídos e das cortinas de fumaça.
Não se esqueça jamais de que aberrações
são criadas para rotular negativamente:
fraturar as sociedades, justificar tutelas
para desviar o foco do que realmente importa,
secar oceanos e acabar com florestas.
O que é de poesia e da sinuosidade
do Médio Vale do Itajaí dialoga por mim,
e, de certa forma, também por ti;
não podemos falar demais,
nós podemos dialogar com sonhos,
e ler silenciosamente lábios e olhos.
Como Bochica transformado no Sol
e Huitaca transformada na Lua,
nós seguimos no ritmo da Cumbia;
não deixo jamais de ser toda tua,
e você não deixa de ser todo meu.
Unidos pelo coração e pela música,
tu hás de enfeitar a minha orelha
com uma flor de mayo enquanto leio
sobre a entrega d'alma num poema,
para que na entrega tu te converta.
Quero ir contigo para bem longe,
e até por onde a gente não conheça,
para que falta de amor e de aventura
a gente na vida jamais padeça —
e por tudo a gente sempre se mereça.
Eclipse é arteirice do Sol,
roçando todo faceiro
com a meiguice da Lua,
cúmplice que insinua
na madrugada absoluta.
De dois lugares distantes,
os dois assistindo à dança
nesta nossa Terra absurda
onde ser poesia é aventura.
Ainda que silenciosos
no campo das carícias
nas nossas emoções,
e das mútuas intenções:
Embalamos tentações.
Iluminados pela Lua,
sou a tua amada Cantuta,
És tu o meu Beija-flor
em meio a brisa noturna.
Com dulçor tudo ao redor
nos coloca para dançar Huayno
com ritmo, ventura e fervor:
Não duvido que existe amor.
Barbatimão que era florescido em agosto
faz lembrar da época que as mulheres
buscavam a sua casca para o misterioso
chá de passar na maturidade e não de tomar.
Lembro-me bem da busca boca a boca,
de quem anunciava a viagem à toda
para o Cerrado ou até para a Caatinga,
e da peregrinação para achar a feirinha.
Os tempos mudaram e hoje ninguém
mais se lembra desta época de outrora;
o Barbatimão que era raro deve ter
sumido da Terra, da vida e da memória.
Como sou poética, por mim é lembrado,
mesmo sem nunca na vida eu ter usado.
Segurei na sua mão
em ritmo de Sanjuanito,
Desejei de primeira
o seu sorriso bonito.
Não é somente fruto
da minha imaginação:
Uma flor de Chuquiragua
receberei da tua mão.
Pedirei aos quatro ventos
que mostrem só o que é
de amor, paixão e rendição.
Não vai demorar muito
para me dar o seu coração:
És o meu amor de perdição.