Aquele olhar transparecia uma tristeza que nada se assimilava com ironia. Era simplesmente uma verdade pura e triste. Verdade de quem se cala para fora e se abre para seu próprio eu. Desespero calado que se torna verdade definitiva. Sem volta. Já que faz parte da própria vida indigna e que apodrece um pouco a cada dia. Como um ovo roto que esconde em sua frágil casca aquilo que os outros não querem ver em você.
Sobre o Fim
Muitos pensam com tristeza sobre o fim. Quando deveriam, na verdade, pensar como um começo. Um começo de algo novo, não vivido, reconhecido ou descoberto. Algo que aguça e traz de volta a vontade de viver. De estar com a alma incandescente. Estar triste com seu fim é puro egoísmo consigo mesmo.
Os amantes felizes não têm fim. Apenas têm uma breve pausa para aguardar um novo começo. São almas gêmeas que nascerão e morrerão continuamente. Tantas vezes quantas se amarem cada vez mais.
Não tenhamos medo do fim, apenas o encaremos como uma breve curva onde não vemos o outro lado da estrada.
Saudade é reviver sem viver. É trazer para perto aquele que está ausente sem poder tocá-lo.
É trazer na memória momentos que, mesmo sem você se ter dado conta, lhe fizeram muito feliz. Inconscientemente lhe faz falta. E que na maturidade do momento de vida, infelizmente lhe é tarde demais.
Se eu morresse hoje
Morreria satisfeito. Posso dizer que vivi incessante e intensamente. Não ao extremo. Quem me conhece sabe que não iria. Talvez.
Ri, chorei. Fui feliz, muitas vezes, e também sofri outras muitas.
Trabalhei com afinco, mas também fui usufruí.
Briguei, insisti e não desisti...quase sempre.
Amei e fui amado. E no final...
Morreria com a certeza que ninguém se importaria. Ou não.
O desafio de viver
Todos os dias somos desafiados.
Travamos uma nova batalha por nossas vidas. Dia a dia lutamos por nós, por aqueles que amamos ou por quem sequer conhecemos. Nossa vida é uma guerra com fim. Fim, que quando chega, derrota-nos impiedosamente tirando qualquer vontade de viver. De continuar.
Não nos deixemos abater. Afinal não deixamos de ser vencedores de uma guerra por uma única batalha abatida. Claro, desde que o motivo de nossa guerra na vida não tenha sido em vão.
A vida é como um jogo de cartas. Há regras para todo tipo de jogo. Depende apenas do quanto queremos arriscar. Risco de perdermos tudo, ou ganharmos muito, em uma aposta alta, mas sem a certeza ou garantia. Ou pouco, se formos cautelosos e medrosos. A decisão de como levar a sua vida é sua e somente sua. Só vale lembrar que na vida não há chance para blefar.
A miopia da idade imatura nos serve para não prever o futuro tão longe e o que dele podemos esperar. Então ao envelhecemos agregamos sabedoria e experiência de vida. Aquela miopia torna-se, quase sempre, uma hipermetropia. Que leigamente nada mais é, que a dificuldade de vermos o que nos está tão próximo. Só aí percebemos o quão sábia é a vida. Assim, com toda nossa experiência, não nos decepcionaremos com os outros e tudo aquilo de ruim que nos cerca.