Escuta bem
Tanto me faz se dizes verdades ou mentiras. As tuas mentiras só te preocupam a ti. As tuas verdades, também a mim. Só quero saber se te traíste para não seres infiel a alguém e que compromisso assumiste para o teu entardecer. Não me digas que repousas num campo de urtigas, só para não destruíres jardins que não são teus.
Não me interessa saber se és jovem, adulto ou permaneces criança. Diz-me a mim apenas que a tua alma se sente como um poderoso gigante com um coração de criança. Vá, fala-me das páginas dos teus sonhos, que cuidas da tua nascente de esperança, que escreves na areia da praia o nome dos teus fantasmas e nas rochas, o diário das tuas paixões.
É indiferente para mim o que fazes na vida. Se tens cursos superiores, quantas línguas falas, se usas gravata ou não. Antes, preocupo-me com o que fazes com o teu tempo, se tens a ousadia suprema de te libertares da servidão de uma vida de miragens. Se te bastas na solidão, se aprecias a tua própria companhia. Se és tu o pintor das paisagens das tuas caminhadas e se usas o preto e o branco para realçares pormenores.
Não me atormentes com os teus desígnios e queixas, não as ouvirei, não são minha preocupação. Diz-me se consentes que os teus dias tenham os seus problemas e se lhes reconheces as soluções. Fala comigo e conta-me se amanhã de manhã, vais querer mudar as rotas, se sabes qual a tua direção. Quero saber se sentindo-te perdido, te encontras!
Escuta bem, presta atenção. De nada te vale contar-me que volta e meia cortas as ramadas podres dessa árvore que te abriga. Prefiro que me confesses que estás determinado a arrancar-lhe as raízes. Diz-me que encontras no aconchego da tua tranquilidade, a manta de retalhos com que te envolves do frio da vida.
Não me digas que gostas de mim. Isso não resolve a minha vida. Nem a tua. Diz-me antes, que gostas muito de ti e caminharei então a teu lado!
Felicidade
A felicidade
Não é uma hipótese
É certeza!
Não é um estado
É sentimento.
Não é uma teoria
É prática.
Não é saber
É ser!
Não é meta
É caminho!
Por isso, não é ensino
É aprendizagem!
Medo, tens coragem para me enfrentar?
_ Ouve lá…tu que és o Medo, tens coragem suficiente para me enfrentar? Tens garra, tenacidade, persistência, para comigo permaneceres muito tempo?
É que, ouve bem, não sei se sabes que nasci no mato, sou guerreira destemida e se me comparasse a uma flor, eu seria um cato, podes crer!
Estás a ver o meu sorriso? Estás a ver a alegria com que abraço a vida? E ainda assim, queres aqui ficar? Tens coragem para isso?
Repara…oh medo…repara…estou a dar-te uma hipótese de saíres de mim sem guerras, para que jamais te envergonhes do momento em que ousaste ficar! Perderás toda a tua reputação, se tomares a decisão errada. Não vês que não é um qualquer medo sem experiência de vida que me assusta? Sai, ainda estás a tempo, não me obrigues a mostrar-te como sou capaz de anular-te!
O presente é o meu tempo e não o sacrifico em nome do futuro que tu estás sempre a querer adivinhar. E quando lá chegar, já perdeste de novo o teu lugar!
A minha ignorância
É incrível
O quanto a minha ignorância,
Este meu estado de graça permanente
Me diverte
Sempre que se ri inteira
Da inteligência suprema
Dos que fazem pouco dela!
Ah que mundo feliz o meu
Riquíssimo em diversão
Com a alegria que espalho
Sendo ignorante assim
Assim…em vão!
Ignorância, é saber que quando a Morte nos chamar, iremos habitar uma caixa que alguém escolherá para nós e, ainda assim, apesar de toda a liberdade que nos é dada em vida, escolhemos viver enclausurados nas nossas prisões mentais, apesar das inúmeras portas abertas com saídas para o Norte!Vivemos conscientemente soterrados, pela escuridão da nossa própria mente!