Os novos postulantes querem a universidade não para se doutorarem, no sentido pedante e ocioso da expressão, mas para adquirem conhecimentos que os qualifiquem para o trabalho futuro, útil, que terão de produzir. Nisto está o essencial do problema: os estudantes compreenderam a essência alienada da universidade brasileira, sua função desambientadora, sua quase nula atuação progressista, sua inadequação às tarefas exigidas pelo país, e a querem precisamente como instrumento para revogar e pôr termo a toda essa alienação...Aos estudantes cabe, evidentemente, o principal papel neste processo transformador da universidade porque são eles os primeiros a compreender as ideias como as que estamos enunciando e a lutar por elas.
A QUESTÃO DA UNIVERSIDADE, pág. 14-15
Cria-se, assim, o problema do preenchimento das cadeiras vagas. Neste assunto, melhor ainda que em outros, se observa o esforço do grupo magisterial dirigente para impedir qualquer interrupção de continuidade na orientação do pensamento de cada disciplina oficial. Tudo se faz no sentido de excluir o candidato que acaso vencedor nos supostos concursos para a docência e para a cátedra, viesse a imprimir novos rumos ao ensino, denunciar os males da alienação cultural reinante, instalar novo estilo de estudo, difundir ideias progressistas, voltadas para o exame dos reais problemas do país, exprimindo os interesses de outra classe, diferente daquela que monopoliza a universidade.
A QUESTÃO DA UNIVERSIDADE, pág. 49
"A acusação de que na universidade pouco se trabalha e dificilmente se estuda não significa, em verdade, uma acusação, mas o registro do escrupuloso cumprimento de uma norma intencional. A universidade não foi concebida nem é dirigida em função do trabalho social útil, mas do estudo ocioso, da cultura alienada, da pesquisa fortuita e sem finalidade imperiosa"
A QUESTÃO DA UNIVERSIDADE, pág. 27
O que o professor burocrata, medíocre, displicente, sabe e ensina, não reforma, mas conserva a universidade. Logo, não pode ser ela o instrumento da transformação exigida pela sociedade no seu movimento histórico...Compete aos estudantes associarem-se a estes mestres mais esclarecidos, incentivarem as suas atividades inconformistas, apoiarem-nos, para no diálogo com eles mantido, conseguir fazê-los progredir o mais possível no sentido de compreensão comum do problema e da batalha em que necessitam aliar suas forças.
A QUESTÃO DA UNIVERSIDADE, pág. 90-91