Ah quem não se perde na mulher que dança
Nada é mais lindo que a mulher que dança
Nada pode ser mais lindo que a mulher que dança
Ela flutua com sólida precisão, mas flutua,
ela é rarefeita, bem feita, perfeita
Ela tem imã no pé,
que não a deixa encostar
no chão
E entre cruza e descruza de pernas,
ela mistura cisão com fusão
Ela mexe com a cintura, e também com meu
Coração, que pula pula pula e sai pela boca
Eu vejo a mulher que dança, e penso em nada,
porque me perco naquela visão
Ela é só sensualidade,
embalada numa canção
Eu amo a mulher que dança,
Eu quero a mulher que dança
O corpo da mulher que dança
ahh é pura emoção,
ele é todo desenhado a mão
Ah se eu pego a mulher que dança,
é cama dança e paixão
É carnaval no meu coração
É sorriso até morrer,
é dança sem dança no chão
Haviam homens de verniz em suas fortalezas, e
homens nus nas ruas
A miséria, o vírus, a distância.
Era inumano.
Existiam abismos no fim de tudo
Então qual seria o mais fundo?
Os dias que nos pertencem
Aqueles que estamos vivos
O que será dos não nascidos
Nas ruas o medo do vírus
Na rua debaixo da tua
Sua máscara descartável,
Aos restos com a tua comida
Que alguém no lixo procura
Que eu esteja vigilante
Aos discursos incoerentes
Aos números que mentem
As massas não convergentes
Aos que fingem gostar de gente
Ao frio que forja o quente
Ao sorriso do demente
As dores dos que não sentem
Ao cinza que rega o verde
Ao latido dos intransigentes
E a sanidade dos doentes
Sinta como é doce essa teia que criei para você
Como um algodão que você saboreia devagar
Que desmancha como açúcar na sua boca,
no calor da sua língua,
aos pedaços
Sinta a intensidade e o amargo da minha picada
Ela é pontiaguda e perfura fundo...fundo
Você não a vê penetrar, tampouco sangrar
Apenas sente quando está lá dentro
Como uma lâmina afiada e enterrada dentro da sua carne
Sente como destila
pela sua circulação
Posso ver evaporar pela
sua pele
E pelos seus olhos
É doce? ou amargo?
É bom?
eu gosto!