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Frases de Alessandro Lo-Bianco

363 frases

Quando morrer, pedirei a Deus para ir, se eu merecer, pro céu dos cachorros, e não dos homens...
2014 foi pra mim um ano de observação. Não fiz muitos amigos, não vivi grandes relacionamentos, mas vivi intensamente com a minha filha. Agora, no último dia do ano, naquela reflexão normal que fazemos da nossa vida, vejo que memorizei algumas pessoas que impressionaram-me pelo e…
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2014 foi pra mim um ano de observação. Não fiz muitos amigos, não vivi grandes relacionamentos, mas vivi intensamente com a minha filha. Agora, no último dia do ano, naquela reflexão normal que fazemos da nossa vida, vejo que memorizei algumas pessoas que impressionaram-me pelo exemplo que deram e dão em suas vidas. A minha reflexão neste final de ano é, em síntese, uma homenagem que presto à probidade, à inteligência, à educação e dedicação ao trabalho motivado, enfim, ao exemplo de vida que me dão os que tive o prazer de conhecer este ano.Todos que, sem dúvida, não passaram apenas pela minha vida. Mais do que isso, viveram comigo a minha vida em todas as suas incertezas e angústias. Foram amizades sinceras que construí e que nesta reflexão vejo que deixaram uma réstea de luz em minha vida, pelos caminhos que trilharam em suas vidas. É claro que muitos mais poderiam ser alinhados, sob esse aspecto, nesta reflexão. Parentes, amigos de infância, dezenas de pessoas com as quais mantive relacionamento à vida toda, mas que não tiveram espaços em suas agendas nem para uma ligação em 2014... Fixei-me então, neste último dia do ano, nesses poucos pinçados da memória, sem preocupação com a posição ou graduação maior ou menor que obtiveram na sociedade em que viveram e vivem.Reflito também sobre gente indiferente... Percebi que há muita similitude do farol na escuridão com quem não dá à juventude, ou que não é capaz de dar à juventude, todo o brilho da instrução. Espero para 2015 que o meu ambiente continue sendo a vida. A vida de alguém que perdeu as ilusões mas não os gestos necessários, que não reza e fala pouco, mas que continuará desejando que o Amazonas continue desaguando no Atlântico, que algum presidente realmente apareça querendo governar o país, que o Ministro da Fazenda um dia fale que a inflação vai cair de verdade, que a Funai não vai mais desconhecer as reais necessidades dos índios, que os gêneros de primeira necessidade no mercado vão parar de sofrer aumento nos preços, que os supermercados vão parar de, impunemente, furtar o povo com seu engodo de promoções, que a corrupção vai deixar de ser intocável, que o comércio do ensino deixará de engordar com suas taxas de mensalidades escolares e universitárias cada vez maiores, que as mordomias deixarão de obedecer as ordens dissimuladas que vem do Planalto, que se tenha cada vez menos espaço para políticos demagogos que continuam dando entrevistas sobre soluções que nunca irão fazer sair do papel, que a poluição deixe de contaminar os mares e rios, que os americanos deixem de pregar a paz fornecendo armas para as guerras que eles mesmos fomentam por razões políticas e econômicas, que os Árabes e Judeus deixem de construir novas guerras, apesar dos acordos de paz que vivem rasgando, que os negros e homossexuais possam ser cada vez mais respeitados numa sociedade ainda racista e preconceituosa. E que também, em compensação, as sementes continuem virando flores, que o amanhecer e anoitecer no Rio continue lindo do jeito que é, que a lua da minha serra continue inspirando os poetas, que a grande torcida do Fluminense continue cabendo dentro de uma Kombe e que Valentina, Hanna e Cacau continuem sendo as três mulheres da minha vida. ‪#‎AnoNovo‬

Tanta gente indiferente, que não olha realmente quem está ao seu lado. Se tem alma ali, não sei se sente algo, tal qual farol apagado... Por ver em 2014 faróis traiçoeiros, que iludem e levam aos abrolhos amorosos timoneiros, quase naufraguei à luz dos mesmos olhos... Mas não...…
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Tanta gente indiferente, que não olha realmente quem está ao seu lado. Se tem alma ali, não sei se sente algo, tal qual farol apagado... Por ver em 2014 faróis traiçoeiros, que iludem e levam aos abrolhos amorosos timoneiros, quase naufraguei à luz dos mesmos olhos... Mas não... Percebi que há muita similitude do farol na escuridão com quem dá à juventude, ou que é capaz de dar à juventude, todo o brilho da instrução. Assim, se pudesse ser um farol divino, e de um milagre ser capaz, só num piscar repentino daria ao mundo a luz da paz...

Devo estar com uma aparência péssima mesmo. Fui dar uma volta na rua de chinelo, e meu pé ficou igual do menino carvoeiro. Mas é porque transpiro muito no pé e ele começa a sambar na borracha do chinelo e fica todo cagado...Fui entrar na agência do Itaú pra sacar dinheiro, e uma…
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Devo estar com uma aparência péssima mesmo. Fui dar uma volta na rua de chinelo, e meu pé ficou igual do menino carvoeiro. Mas é porque transpiro muito no pé e ele começa a sambar na borracha do chinelo e fica todo cagado...Fui entrar na agência do Itaú pra sacar dinheiro, e uma senhorinha correu da porta com medo de entrar sozinha comigo, achando que eu fosse assaltá-la. Tudo bem, não estava com meus melhores trajes... Mas, quando fui ao seu encontro para dizer que ela poderia ir no banco, que eu não era bandido, sem me dar qualquer chance, ela gritou o rapaz da Cet-Rio que estava em frente a capela do colégio Zaccarias, no Catete, dizendo que estava sendo assaltada O cara me abordou enquanto chamou um carro da guarda municipal, que, estava exatamente parado em frente ao restaurante de frutos do mar Berbigão, certamente esperando o arrego do dia embrulhado numa quentinha, enquanto tinha gente na rua gritando que ia me bater... Só fui liberado porque, graças a Deus, com a chegada da Guarda, por sorte, eu estava com o crachá do globo no bolso... Me pediram desculpas, e eu respondi que eles poderiam ficar com o carro parado na porta do banco, em vez de vegetarem esperando comida em frente ao restaurante. Antes que eles me dessem um fora, Dona Lurdes concordou e perguntou porque o carro estava em cima da calçada em frente ao restaurante, e não em frente a agência bancária, do outro lado da rua... eles ficaram sem graça de contrapor a velha e calaram a boca...Ali, estava estabelecido uma primeira relação de afeto e reciprocidade entre eu e minha nova "vovó". Inclusive, a dona Maria de Lurdes, muito sem graça, não sabia o que fazer para se desculpar... Eu, claro, perdoei...Talvez ela tenha razão em julgar e achar que, a qualquer momento, possa ser esfaqueada na rua... Que triste, vivemos um momento horrível na cidade onde todos se sentem ameaçados até mesmo por pessoas de bem....Consegui, pelo menos, dar um beijo carinhoso na bochecha da dona Lurdes antes de ir embora, pois ela começou a chorar por ter sido injusta comigo, e reconheci que era de coração. Descobri também que a Dona Lurdes mora aqui no Catete desde quando Getúlio presidia o Brasil aqui do palácio. Já aceitei o convite e amanhã vou comer uma broa de milho na casa da dona Lurdes, que mora hoje aqui na Bento Lisboa. Segundo ela, está acesa como se fosse ontem as passagens de Getúlio pelo bairro. e ela quer me contar tudo o que lembra... Quero escutar suas histórias e ver as fotos que ela diz ter pra me mostrar dessa época, "ao jornalista desleixado"..., já tomei esporro da Dona Lurdes por ser jornalista e estar andando com os pés sujos na rua... então, acho que, no meio dessa violência toda, nasceu uma nova e bonita amizade, onde a diferença de idade de dezenas de anos é um mero detalhe superficial...Já lavei os pés... Agora, depois do primeiro plano executado com sucesso, preciso colocar a cabeça no lugar e pensar direitinho como roubarei a casa inteira dela, nessa oportunidade única, e de que maneira vou assassiná-la, em seguida, para que tudo pareça um acidente, depois de três dias, pois já descobri que ela não tem parentes aqui no Rio ...

Aprendi com meu pai agora, que quando temos o apoio daqueles que nos amam, não reagir contra quem nos odeia pode significar um sinal de falta de amor com nós mesmos; Sempre procurei ser uma pessoa que não critica, não assedia e não deseja o mal dos outros. Até porque já senti na…
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Aprendi com meu pai agora, que quando temos o apoio daqueles que nos amam, não reagir contra quem nos odeia pode significar um sinal de falta de amor com nós mesmos; Sempre procurei ser uma pessoa que não critica, não assedia e não deseja o mal dos outros. Até porque já senti na pele como a crítica injusta e irracional nos fere, e ninguém gosta de ser ferido. A criatura que gosta de criticar, assediar, importunar a nossa felicidade, acredite, aos poucos, se verá isolada de todos. Seja sem um companheiro, seja sem uma família, seja sem filhos, seja rodeada por aqueles amigos que o elogiam pela frente, mas que pelas costas certamente não simpatizarão com você. Se você achar que alguma coisa está errando sobre a sua vida, tente, primeiro, reagir com carinho, com amor. Mas, sobretudo, o amor a você, o amor próprio, esse sim deve estar acima de tudo. Jamais se permita sentir desamparado por você mesmo. Esse é o pior abandono, quando perdemos a capacidade de reagir contra o que nos faz mal. Cada um de nós responderá pelos nossos próprios atos lá na frente. E essa é uma briga pessoal, individual, assim como a vida e a morte. Se você pega um câncer e entra em estágio terminal, por mais que lhe amem, ninguém, mesmo querendo, poderá trocar de vida e lugar com você para lhe ajudar. Nem seus pais. E nesses momentos de dificuldade, você só tem um melhor amigo, que é você mesmo e a sua capacidade de reagir e superar contra o que está lhe matando. Assim, porque deveremos desanimar contra o que os outros fazem conosco? No final, o acerto de contas será sempre conosco, de nós, para nós mesmos. É fundamental, portanto, que a gente procure ao máximo nos manter unidos a nós mesmos. E para isso devemos nos amar, e não nos permitir sermoes odiados, muito menos por nós, quando começamos a acreditar naquilo que de mal falam da gente, o que acontece quando perdemos a capacidade de reagir contra o que nos faz mal, ou pelo menos tenta nos fazer mal. Gostaria de deixar essa mensagem para todos meus amigos verdadeiros. Que modifiquem nossos pensamentos e que a gente passe a nos amar e nos valorizar cada vez mais, para que nossa saúde se mantenha firme e estabelecida. Qualquer tipo de doença é agravada pelo omissão do amor próprio. Não deixem nunca, não permitam, que qualquer pessoa assedie a sua mente. Você poderá perder algo agora que ama muito para lutar contra isso, mas certamente encontrará outra coisa muito melhor lá na frente, como recompensa por ter tido o amor próprio e o carinho com você que você mesmo merece. A mente cansada e obsediada, e que se permite passar por isso numa atitude passiva, não pode pensar direito. O cérebro cansado e sem reação e amor próprio turvará o seu pensamento. E o pensamento é a maior força criadora que existe sobre a terra, como disse meu mentor espiritual em um dos nossos encontros essa semana."Reaja firme, para que consiga repousar lá na frente o seu pensamento em coragem, alegria e auto-amor" Esse é o melhor remédio contra antidepressivos ou coisas do gênero. Assim, não aceitem nunca maus tratos, e não se deixem sugestionar por pensamentos e palavras levianas que venham de terceiros.Sempre existirá uma saída se você se amar. Para quem se ama e sabe olhar para trás, não há rua sem saída. Se amem, pois nossos sentimentos emitem ondas reais que irradiam dos nossos cérebros, formando uma atmosfera mental e que será peculiar a nós, a cada pessoa. De acordo com o seu pensamento, você atrairá para você uma solução, mesmo que sofra agora com as consequências disso. Mas saiba que, como meu pai disse, qualquer consequência sofrida por uma atitude sua de auto-amor será válida. Se você se coloca omisso as agressões feitas contra você, atrairá todas e ainda mais vibrações semelhantes. Se você se encorajar a repelir o que lhe faz mal, mais uma vez, repito, numa atitude de auto amor, vai atrair ondas de amor e prosperidade, mesmo que demorem a chegar. Nunca se auto abandone. Assim, procure lutar sempre, com coragem, contra o veneno da lisonja. Não se permita ser ferido e machucado por aqueles que não são capazes de produzir o amor, o perdão e a gentileza. Prefira arrumar sua mochila e sair pela porta da frente de cabeça erguida. A depressão, quando nos atinge, certamente significa que não estamos tendo conosco o amor que merecemos. A depressão é um alerta de que não estamos reagindo a algo que nos faz mal. E acreditem, não reagir nos amolece e nos ilude. E não existe nada mais frágil do que não termos respeito e amor por nós mesmos. Quando você deixa de ser respeitado pelos outros e não reage, você acaba sendo indigno do seu próprio respeito. A manifestação externa dos nosso atos, seguramente vai refletir no estado da nossa alma. E quem não se defende, faz da sua própria alma um espírito covarde. Assim, para não ser prolixo, se amem, acima de tudo. Quando nos amamos, recebemos de volta as vibrações de gratidão dos nosso corações. E esse é o único sentimento capaz de fazer com que a gente consiga superar todas as dificuldades para alcançar nossos objetivos. NOS AMAR, TER CORAGEM, E REAGIR!

O que pensar de um médico? Facultativo que outros mais ensina o modo de operar com precisão; sanar a dor, operação divina, mas somente quando é feito com amor e devoção. Da medicina os novos podem se tornar mestres; é teu meio de vida e não negócio; e sempre ao atuar com o coraçã…
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O que pensar de um médico? Facultativo que outros mais ensina o modo de operar com precisão; sanar a dor, operação divina, mas somente quando é feito com amor e devoção. Da medicina os novos podem se tornar mestres; é teu meio de vida e não negócio; e sempre ao atuar com o coração, fará do seu amor um puro sacerdócio. A mão que cuida e examina com tanta eficiência é produto de estudo e inteligência e, obviamente, dos esforços. Mas há, no movimento desta mão, grande impulso que vem do coração, e que não vem do pensamento no dinheiro, vem de Deus. O nome disso é vocação, é missão. Médico, estranho nome... Bem mais difícil e pior é a tal da dengue. Se for seu caso estar nesta enrascada não perca a calma e evite correrias. A cura é certa e a dor eliminada, se procurar um doutor "da antiga". Esculápio famoso e moço ainda, as enfermarias já atolam na berlinda, por ser um "doutor diplomado", e por assim dizer "de verdade". Mas o que torna o médico grande e respeitável é o seu jeito cordial e o trato amável; o ar de mago, de mágico, ao trabalhar a cura e espalhar bondade.

Esse negócio de assalto está deixando muita gente de cuca fundida. Também não é pra menos. Estão assaltando a luz do dia em plena via pública e nas horas de maior movimento. Os ladrões concluíram que a Polícia Militar enrustida nos quarteis e a Polícia Civil desaparelhada e indis…
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Esse negócio de assalto está deixando muita gente de cuca fundida. Também não é pra menos. Estão assaltando a luz do dia em plena via pública e nas horas de maior movimento. Os ladrões concluíram que a Polícia Militar enrustida nos quarteis e a Polícia Civil desaparelhada e indisposta já nada podem fazer contra eles. Consequentemente, há em diversas regiões, centenas de pessoas amedrontadas e complexadas com os assaltos. E foi com um desses complexados que aconteceu o assalto, mais fora de série dos últimos tempos, em Nova Friburgo. Certo cidadão cujo nome, obviamente não vou citar, passou a andar armado até para ir ao boteco comprar cigarro. E foi justamente quando se dirigia à padaria do bairro, já na boca da noite, sem lua, que o nosso herói foi esbarrado por um sujeito negro, com 1,80 de altura por 60 de largura. Após a trombada, o nosso amigo saltou para o lado para fugir do corpo a corpo e, rápido, ao sentir falta da carteira de dinheiro, sacou do revólver, e irado, ele que já fora vítima de um “trombadinha” na praça Demerval Barbosa Moreira, havia menos de um mês, gritou: “Para aí, moleque safado; passa a carteira.” E o negro, apavorado com a reação do “assaltado” não titubeou e, diante do cano do 38, passou-lhe a carteira. “Agora corre moleque, antes que eu lhe estoure com uma bala…” O negro não esperou segunda ordem. Sumiu num salto triplo diluído no negrume da noite. Tremendo, ainda sob efeito da reação, como sói acontecer com os indivíduos pacatos, o nosso homem correu para casa em direção oposta a do assaltante. E lá chegando, aos berros disse à mulher: “Tá vendo, você vive me criticando por andar armado. Mas, se não fosse o revólver, eu, há pouco, seria roubado.” E contou a esposa o ocorrido, já agora sobre os olhares de alguns vizinhos. E aí vem o desfecho da história: O assaltado havia deixado a carteira em casa… E o herói, agora mais nervoso e envergonhado, remexeu a carteira de sua “vítima” na busca de um endereço ou telefone. Achou. Telefonou e a resposta veio mais perturbadora: “Meu marido não pode atender agora. Ele está muito traumatizado, pois acabou de ser assaltado e quase foi morto em plena rua.” Desculpas, explicações, calmantes para os dois, abraços e início de novas amizades. Moral da história: assaltar não é difícil, só carece de motivação.

Não tem jeito. Quando perceber, é você, sozinho, apenas com você. Isso enquanto você achar que o amor acabou; ou, pelo menos, voltou a sair da rota, naquele momento. Mas há surpresas incríveis neste caminho. Por exemplo, procure os seus amigos. E você também pode chorar. Escute u…
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Não tem jeito. Quando perceber, é você, sozinho, apenas com você. Isso enquanto você achar que o amor acabou; ou, pelo menos, voltou a sair da rota, naquele momento. Mas há surpresas incríveis neste caminho. Por exemplo, procure os seus amigos. E você também pode chorar. Escute uma música para fazer isso; vai ajudar. E confortar também. São os momentos registrados na lembrança por meio da música. É a nossa trilha sonora. Depois, mergulhe num bom livro; pode ser, até mesmo, um bom livro de auto-ajuda. Mas o principal: comece a organizar uma viagem. E capriche na música que vai ser o pano de fundo desta escolha. Ela será o seu roteiro musicado pro resto da vida. E também irá virar uma lembrança. E quando estiver tudo certo, beba um chope, num barzinho, para comemorar. Se estiver sem companhia, poderá fazer isso sozinho. É uma comemoração sua. E lembre-se: um amor grande nunca se vai. Mesmo que distante e finito, fica na lembrança. Conviva com isso. É justamente o amor que sustenta o mundo diante de tantas coisas ruins. E a lembrança é a forma como carregamos o amor. A lembrança é a parte boa do amor que guardamos para nós; aquele amor que não se perdeu.

E se algum dia você pressentisse a chegada de uma notícia que modificaria a sua vida inteira? E se você soubesse que essa mudança mexeria com todas as pessoas e abalaria todas as estruturas da sua vida? E se você soubesse que, mesmo com todas essas mudanças, era extremamente nece…
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E se algum dia você pressentisse a chegada de uma notícia que modificaria a sua vida inteira? E se você soubesse que essa mudança mexeria com todas as pessoas e abalaria todas as estruturas da sua vida? E se você soubesse que, mesmo com todas essas mudanças, era extremamente necessário, naquele momento, uma mudança? E se a vida o levasse para caminhos que você achava que nunca precisaria percorrer? E se chegasse no meio do caminho e você caísse no meio de uma bifurcação? E se, de repente, vem uma avalanche de acontecimentos e tumultua a sua vida ainda mais? O que você faria? Mudar é difícil, mas, assim como viajar, é uma necessidade. Só quem muda sai do lugar. Quem não muda, mofa. E quem muda nunca sabe aonde vai chegar. Mas já sente a mudança quando se depara com o novo horizonte e apenas olha o caminho nunca visto antes, o desconhecido, o novo, o "a ser descoberto". A mudança causa circulação sanguínea. A mudança oferece possibilidade de independência. É a possibilidade de mudar que salva as pessoas, salva o mundo. Mudar, transitar. Escolher seu destino, e não esperar que ele mostre algo a você, porque pode não ser bom o que ele tenha a mostrar. Pode não ser muito bom quando "a vida te levar". Então, leve a vida! Dê uma braçada, duas braçadas... Passe a arrebentação. Repouse um tempo no local certo para pegar a onda perfeita. Ela pode chegar a qualquer momento depois que você furar a arrebentação. Ainda dará tempo para você observar o mar. E se as primeiras ondas que vierem não forem boas, deixe-as passar e espere pelas próximas. Assim, você evitará subir em ondas erradas, que não valem à pena. E também não precisará furar a arrebentação novamente, resistindo aos agravos causados pelas ilusões. E quando vier a onda boa, só entre seguro. Afinal, você já está no ponto das ondulações. É onde elas chegam, mas não arrebentam. Se a onda perfeita chegar e você não estiver seguro para entrar, deixe-a passar e observe atentamente como ela se move. É necessário observar. Virá outra perfeita, e outra, outra... E na certa, você vai remar e olhar, da crista dela, o lençol do mar. Aí o caminho é um só e sem volta. Você passa a caminhar com a arrebentação, a fazer parte daquela onda. Vai surfando, surfando, até chegar na areia. E é lá que as pessoas estarão lhe observando, te esperando.

Estava tudo calmo, até que avistei uma pantufa azul com nuvens brancas estampadas. Imediatamente olhei tudo que rodeava o meu quarto e que pudesse entrar em sintonia com essa pantufa. Estaria ela isolada da minha existência, ou algum motivo teria para me chamar tanta atenção? Com…
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Estava tudo calmo, até que avistei uma pantufa azul com nuvens brancas estampadas. Imediatamente olhei tudo que rodeava o meu quarto e que pudesse entrar em sintonia com essa pantufa. Estaria ela isolada da minha existência, ou algum motivo teria para me chamar tanta atenção? Comecei então a observar meu quarto, e notei que, assim como as cores daquela pantufa, meu lençol também é azul de bolinhas brancas. Olhei em seguida de forma mais abrangente o meu quarto, cenário onde passei os últimos momentos na infância e pré-adolescência, antes da partida para os insondáveis e misteriosos planos e objetivos profissionais. O local está exatamente como deixei. Abrindo a janela, esta que ainda é protagonista constante nos textos feitos durante as minhas férias, notei, nas montanhas, o mesmo verde de sempre. No ar, a mesma brisa que caracteriza o clima paradisíaco de Friburgo. Só o céu parece agora mais azul e com as nuvens mais brancas depois que parei para observar as pantufas. Ao lado da janela, o espelho de sempre; porém, o reflexo mudou. Percebo um corpo mais maduro pela idade, mas, mesmo assim, com o mesmo vigor de alma. E Isso me deixou mais ansioso, agora, para chegar até você. E vem daí a minha grande dúvida. Como tanta reflexão pode partir apenas da observação de uma simples pantufa azul com estampas de nuvens brancas? Tento sair então da redoma desse quarto e volto novamente à janela; e vem aí a incerteza de que nossos respectivos carmas se processem. E isso, por si só, já me faz vibrar, assim como acontecia nos tempos quando olhava minha infância nesse mesmo espelho, cheio de expectativas acerca do colégio. Então me pergunto: será que, por sentir essa sensação novamente, isso não merece uma continuidade? Por mais que eu pense a respeito, não encontro, por mim mesmo, o caminho para um esclarecimento, ainda que imperfeito, mas que traga um pouco de qualquer coisa. Dizem que a ânsia de exteriorizar o que sentimos por nós mesmos pode assustar as pessoas. Mas acho que não... Nada mais natural numa fase de adaptação de uma alma ainda em plano material. Nesse ponto divirjo de certos pensadores que afirmam que devemos ficar mais em paz com nossos pensamentos. Não concordo, repito. Estou certo de que uma reflexão sincera e vibrante é um pensamento em forma de prece e que pode atingir para o bem, de alguma forma, aquilo que nos inspira a refletir. Espero apenas deste mundo, que em breve possa encontrar respostas para estas dúvidas, decorrentes, certamente, de uma simples pantufa azul com nuvens brancas estampadas.

Uma vez me falaram que as lições eram extraídas das dificuldades. Foi quando deixei, para conferir, o meu castelo ruir. Ameias, seteiras, tudo desabou. A ponte levadiça também. Só restou o fosso que o cercava. Ah! Eu consegui sobreviver... Mas fiquei preso, no porão, sob os escom…
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Uma vez me falaram que as lições eram extraídas das dificuldades. Foi quando deixei, para conferir, o meu castelo ruir. Ameias, seteiras, tudo desabou. A ponte levadiça também. Só restou o fosso que o cercava. Ah! Eu consegui sobreviver... Mas fiquei preso, no porão, sob os escombros da incerteza. Até que, depois de uns dias no escuro, achei um buraquinho na parede para olhar; veio um clarão! Estava eu, então, novamente no meu quarto, assistindo a bougainville vermelha subindo pelas grades da minha janela. Percebi o olfato ileso, que me fez sentir o perfume do manacá novamente, o mesmo dos outros textos escritos; aquele mesmo que havia sido plantado, também, sob a janela do meu quarto. Percebi novamente a audição intocada, que me levou ao êxtase com Vivaldi, Schuman, Grieg, Massenet, Chopin, e outros mais que emprestaram à Terra, onde deixaram para sempre os sons do Céu. Notei em seguida a parte incólume do cérebro, justo aquela onde se alojava as boas lembranças, os aprendizados, os fatos marcantes, as doces-amargas saudades, as referências da vida, os exemplos, minha cultura, os amigos e tudo mais que eu acreditava, ou seja, tudo que nos resta, órfãos que somos de saber o que nos espera para o amanhã. Mas havia uma fé que induzia a crer em um entendimento escolhido e que dava sentido à vida. Foi então que percebi, com essa experiência, que acabava de aprender com a dificuldade.

A história é semelhante a de uma rosa que reina em todo jardim. Perdido o viço é cortada e às folhas secas lançadas. É o seu destino e seu fim. Há muita gente vaidosa que vive assim como a rosa. Orvalhada de beleza, ao sol da fama e o som da beleza, sempre em capa de revistas, se…
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A história é semelhante a de uma rosa que reina em todo jardim. Perdido o viço é cortada e às folhas secas lançadas. É o seu destino e seu fim. Há muita gente vaidosa que vive assim como a rosa. Orvalhada de beleza, ao sol da fama e o som da beleza, sempre em capa de revistas, sem perder o cartaz. Mas, tal como tempo, é fugaz. E ao perder a mocidade, vai sozinha com a saudade, pro retiro da idade.

Lembra com saudades gostosas, e no coração vai sentindo como se um pião estivesse a rodar, girando, girando e girando em torno da sua vida. Saudade daquela manhã, quando o amor nasceu na gente. Daquela porção de filhos brincando em volta da gente. De ver, depois, os noetos, crece…
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Lembra com saudades gostosas, e no coração vai sentindo como se um pião estivesse a rodar, girando, girando e girando em torno da sua vida. Saudade daquela manhã, quando o amor nasceu na gente. Daquela porção de filhos brincando em volta da gente. De ver, depois, os noetos, crecendo aos olhos da gente. Como andou depressa a vida, deixando pra trás a gente...

Na manhã de hoje conheci, próximo a Rua Irineu Marinho, subindo pela Rua Riachuelo, passando em frente ao antigo prédio do Jornal O DIA, próximo ao bar do Seu Zé (ufa!) um homem muito parecido com o Henri Cristi - cabelo grande no estilo miojo e barba rala; uns 60 anos; Costuma f…
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Na manhã de hoje conheci, próximo a Rua Irineu Marinho, subindo pela Rua Riachuelo, passando em frente ao antigo prédio do Jornal O DIA, próximo ao bar do Seu Zé (ufa!) um homem muito parecido com o Henri Cristi - cabelo grande no estilo miojo e barba rala; uns 60 anos; Costuma ficar naquele sinal de trânsito exatamente em frente ao antigo prédio do jornal, quando fecha, indo de carro em carro vender o EXTRA; Aquele sinal que tem em frente ao túnel. Profissão: vendedor de jornal. O nome dele é Juaci. Diz que vende jornais percorrendo as ruas do Centro do Rio. Descobri que ele não vive só dos jornais que vende no sinal. Tem clientes pedestres também e, por isso, me explicou com simpatia a pontualidade que o trabalho exige para fazer a entrega aos clientes e agradar a todos, como também chamou a atenção a alegria que demonstra na execução desta tarefa. Faz entrega com música. Entrega o jornal, recebe o dinheiro, dá o troco,tudo com fundo musical. Só que essa música não é qualquer música. Não sei como, mas o certo é que Juaci sopra por entre os lábios semicerrados, deixando escapar um som muito parecido com o que se obtém quando se sopra através de um pedaço de papel fino colocado sobre um pente. O repertório, pelo que observei, é atualizado. Música nova, transmitida pelo rádio. Ele não deixa os jornais em uma mesa, na calçada, como as meninas do jornal Metro. que também dividem o espaço com ele. Ele carrega todos a tiracolo, e ainda me mostrou que sofre de uma paralisia parcial que lhe dificulta os movimentos do braço e pernas esquerdos. Por isso, dá o passo com a perna direita com apoio da perna esquerda semi-paralisada, e depois, firmando na direita, levanta o tórax e impulsiona com o resto do corpo a perna doente, atirando-a para frente. Isso tudo é muito rápido rs. O braço esquerdo, o doente, Juaci utiliza para apertar os jornais de encontro ao corpo. Esse braço, aliais, já vive normalmente encostado ao tórax por força da doença. Ele é fraco de corpo mas forte de espírito. A doença em nada o afeta. Não sei, mas tenho a impressão que o bom jornaleiro faz da sua entranha e diferente andadura um suingue para rimar suas músicas. De fato, os compassos das marchinhas que também "sopra", já em ritmo de carnaval, são rigorosamente cadenciados de acordo com seu esquisito modo de andar. Assim, se a música é ligeira, Juaci acelera o passo. O certo é que ele não perde tempo com o cliente. Não quer, não quer. Nem dá bola. Mas se quiser, os jornais são vendidos rapidamente. Segundo ele, é a técnica "PPV". Pagou, Pegou, Vazou! Como fiz com Francisco ontem, perguntei a Juaci sobre a concorrência. Ele disse que, no passado, sofreu com a proliferação das bancas de jornais dos italianos que, aos poucos, montaram o poderoso "trust", dominador dos pontos situados nas esquinas mais movimentadas da cidade, e contra os quais, segundo ele, "nem a prefeitura ganha quando tenta enquadrá-los nas exigências da lei". Por outro lado, a poluição sonora provocada pelos aparelhos das casas vendedoras de eletrodomésticos também atrapalha ele na hora de fazer seus "sopros musicais". Diz ele: "Não trabalho em frente as Casas Bahia, nas do Ricardo, no Ponto Frio, nem nas Americanas. É um inferno!". Segundo ele, o som promove suas vendas com as pessoas que estão de bom humor. O triste, é que o progresso esmagará Juaci e toda sua fonte de renda já já. Se for verdade, Juaci - que diz que nada mais sabe fazer além de vender jornais - também, assim como muitos de nós, terá que se reinventar no mercado. O que muda no mercado para um jornalista, muda para Juaci também. De certo modo, Juaci é um colega da imprensa. Vende jornais há 34 anos. Quando eu ainda estava quase chegando ao mundo. Uma coisa é certa: deixará saudades para os clientes da Riachuelo.

Desfilaram neste carnaval com todo o seu colorido, mas sem maquiagens. Com seus tiques. Na passarela cristalina da via pública. Na ribalta das ruas, o grande karaoke das cidades. Parece estarmos vendo o reclame do circo na nossa infância já tão longe, quando os palhaços, saltitan…
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Desfilaram neste carnaval com todo o seu colorido, mas sem maquiagens. Com seus tiques. Na passarela cristalina da via pública. Na ribalta das ruas, o grande karaoke das cidades. Parece estarmos vendo o reclame do circo na nossa infância já tão longe, quando os palhaços, saltitando pelas delegacias, interrogavam as crianças com roupas espetaculares. Hoje tem espetáculo? Tem sim senhor... Nossas ruas mal cuidadas e nossas praças irreverentemente autografadas com pardais. Há reis e rainhas corruptos neste carnaval. Há também, para termos os reis e as rainhas, peões; Peões lavrados em marfim, como num bizantino tabuleiro de xadrez. Mas, por trás das fantasias da ala dos peões, parecidas com peças de marfim, o que se vê são peças como se fora barro bíblico da criação, a fim de plasmar calungas para promover um desfile para a posteridade. A "paradinha" da bateria para o povo, ora a alegrar, chegou triste, sem cobrar aplausos dos espectadores.

Ainda sobre o Catete, comecei a ver um "cara de rua" direto... Vive nas imediações do Museu do Catete. Negro, boa complexão física, aparentando uns 50 anos. Usa, habitualmente, roupas rasgadas deixando à mostra, por desgraça, vamos reforçar, o que os nudistas exibem por prazer. S…
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Ainda sobre o Catete, comecei a ver um "cara de rua" direto... Vive nas imediações do Museu do Catete. Negro, boa complexão física, aparentando uns 50 anos. Usa, habitualmente, roupas rasgadas deixando à mostra, por desgraça, vamos reforçar, o que os nudistas exibem por prazer. Seu corpo é infestado de parasitas e por isso vive se coçando. Tem aquelas tromboses com lepra nos tornozelos e grita poemas a seu modo, ali em frente a lanchonete Big-Bi; xinga as crianças que saem do palácio e o provocam, ou pára em frente ao palácio e perde a compostura xingando o governo pelo que ele acusa de "roubalheira nas eleições". Dorme na calçada, ou, quando chove, se vê obrigado a dormir sob as coberturas da Rua do Catete, da Rua Pedro Américo, ou adjacentes... Não dá pra deixar de reparar que ele é extremamente admirador do palácio... Por vezes pára, e fica com uma cara de pão doce, imóvel, olhando o imóvel. Vive por isso fazendo versos em homenagem ao palácio. Versos gozadíssimos, cujas rimas param algumas pessoas mais perceptivas... O seu nome, ou apelido, não consegui descobrir ainda. Sempre que tento, quando ele está mais calmo, recitando os versos em frente ao palácio, é sábado ou domingo, quando as crianças ficam provocando o pobre homem, que, ao perceber a gozação, inicia uma série decorada de palavrões impossibilitando-me de qualquer contato. Ainda lembro de alguns versos: "Tcham, tcham, tcham, ninguém faz nada por mim, tchan tchan tchan também quero casas". São uns versos meios bizarros mesmo, no estado bruto. Esse "tcham", é pra entender que ele canta seus versos. A melodia, se bem me lembro, é quase igual ou semelhante em todos os versos, sobre tudo, sem estribilho. Ele bebe, vive de esmolas, e quando as recebe agradece com bons modos, os restos de comida de quem sai da lanchonete e mitiga sua fome. Mas, desde que não discordem do que ele diz durante a aproximação. Se alguém der uma esmola, e ainda der um conselho, é certo a descompustura e, de acordo com o grau do conselho ( "o senhor tem que parar de beber", "cadê a sua família, procure sua família", "procure um trabalho") ele chega, por vezes, a atirar no doador da esmola a própria esmola recebida. Até agora apurei que, assim como eu, ele também tem seus momentos de introversão. Reparei que é sempre quando está chovendo. Nessas ocasiões, quando passo por ele, está sentando na calçada com uma parada tipo um pregador de varal, daqueles antiguinhos de madeira, e com ele inicia um rápido movimento entre os dedos, fazendo com que o pregador deslize ao longo do polegar até o indicador. Assim está sempre quando chove. Parece que fica curtindo sua desgraça, ruminando o passado possivelmente melhor do que o presente, e certamente bem melhor do que o futuro sem esperanças. Sem esperanças porque não podemos ser hipócritas; um ser humano alheio a tudo e a todos. Sua figura marcante de miserável de rua se apresenta bem nítida e ninguém liga. Sua vida vai passando despercebida pelas ruas do Catete. Diferente de nós, ninguém reza por ele, ninguém chora por ele, nem velas serão acesas para ele... Contudo, graças ao passaporte da bem-aventurança, irá logo logo para o céu, igual a todos nós!! Feliz Carnaval.

Experimentar e sentir tudo na vida, mesmo que sejam sentimentos e coisas que não gostaríamos de experimentar e sentir, tudo é bom. É bom porque as coisas ruins nos ensinam a viver, enquanto as coisas boas nos mantém vivos e alegres. A vida é assim mesmo; nesse jardim, algumas flo…
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Experimentar e sentir tudo na vida, mesmo que sejam sentimentos e coisas que não gostaríamos de experimentar e sentir, tudo é bom. É bom porque as coisas ruins nos ensinam a viver, enquanto as coisas boas nos mantém vivos e alegres. A vida é assim mesmo; nesse jardim, algumas flores são colhidas cedo demais e vão pra vitrine, outras nem tanto, e outras apodrecem no mesmo lugar, pétala por pétala; Aprende mais quem descobre logo que o mundo não é azul de bolinhas brancas; que papai noel não existe; que nem todo mundo é tão legal quanto parece ser; que amigos às vezes só aparecem, de fato, quando querem coisas; que as nuvens não são de algodão; que um sorriso nem sempre é verdadeiro, que uma má interpretação de você pode se tornar um problema eterno para alguém, sem que isso tenha o menor motivo ou faça qualquer sentido; que não é porque beijou que está amando; que você não pode voar; que não é chorando que se resolve; que você nunca terá como adivinhar as coisas com exatidão; que muitos sonhos são ilusões; e que as únicas pessoas que confiamos não são ou não foram imortais. Receber com a mesma naturalidade a derrota e a vitória, o acerto e o erro, a perda e os ganhos, o trinfo e a queda, deve ser a principal dica para saber, um dia, lidar com a morte. Deve ser isso, por aí... Por isso, aprender agora a enxergar dias lindos mesmo com as nuvens carregadas é essencial. Olhar no espelho e perceber que o espelho não está quebrado, pois um espelho quebrado não reflete a mesma imagem. E aí se tocar e perceber quem é você! Observar a sua volta, pelo reflexo desse mesmo espelho, e ser capaz de ver não só as paredes, mas também as pontes. Ou visualizar aquelas que você deseja e pode construir. E se for preciso, construa por cima dos viadutos que não vão te levar onde você quer ir. Você só vai precisar de mais material e mais mão de obra. Pensar que de todas as suas grandes conquistas, algumas podem ter nascido da necessidade de se renovar e reinventar.... Há sempre uma maneira sublime de se levantar, mesmo com uma dor permanente. A pessoa que vive no mundo real não carrega só alegria, leva dor também. E quem não sabe carregar a sua dor, deve aprender. Aprender e ter consciência do fatalismo, para não fazer do fatal um sofrimento eterno. Você pode transformar a dor em lembrança. Vai estar sempre ali, mas só enquanto você estiver pensando nela. Há sim, também, uma covardia dentro da gente, que devemos superar, para encarar mudanças. É medo do insucesso que faz você não ir atrás dos seus sonhos. E medo gera sintoma físico! A última vez que achei que tinha algum problema e fui no cardiologista, depois de algumas perguntas e respostas, o médico riu pra caramba, e disse que eu não tinha nada; me deu um talãozinho azul pra comprar Rivotril... que eu joguei na primeira lixeira que vi do lado da porta do elevador, ainda no andar do consultório. Porque entendi que eu estava mesmo era preocupado, com medo... Joguei fora porque percebi que ninguém havia dito que o medo de perder nos impede de ganhar. Nos preocupar é parte de um processo de melhora. Ter medo também. Será que vai dar certo? O que realmente devemos fazer? O que é preciso fazer para que dê certo? E eu achando que estava infartando em alguns momentos do dia, mas era só preocupação... Mas, talvez, se a gente já tivesse todas essas respostas, não haveriam surpresas. O principal é ter coragem, no momento das dificuldades, para tomar decisões. E tomar decisões rápidas para não ficar à deriva. Por que aí não é nada legal mesmo. Se serão decisões certas ou erradas, o importante é tomá-las. E se não forem, perceba que, às vezes, é preciso de mais tempo e espaço para cometer erros. Uma vez escutei uma música que falava disso; uma pessoa que saía de casa para cometer mais erros, pois ali não estava aprendendo o suficiente com eles. Era uma música americana, country, mas a letra chamou a minha atenção por isso... Enfim, blá, blá, blá... Numa época de crise em que todos choram, há sempre alguém que se lembra de fabricar lençóis. Por que será?

Ainda na Praça do Russel encontro com 'Biafra' 7h25. Pode ser visto bem cedo com uma espécie de lata de tinta - um pouco mais profunda - onde guarda suas coisas conectada a um pneu de bicicleta, que serve como uma alça para carregar sua bolsa no ombro.No meio da tampa, vejo colad…
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Ainda na Praça do Russel encontro com 'Biafra' 7h25. Pode ser visto bem cedo com uma espécie de lata de tinta - um pouco mais profunda - onde guarda suas coisas conectada a um pneu de bicicleta, que serve como uma alça para carregar sua bolsa no ombro.No meio da tampa, vejo colado uma foto do cantor Biafra. Tudo toscamente feito. Ou nem feito. Biafra aprendeu a não descartar as coisas tão rápido. Por isso, seu latão, ou melhor, sua bolsa, é composta também por uma série de pregos martelados ao redor da tampa, dando a forma da desgraça. Nos espaços entre os pregos, observo formigas num entra e sai como se o latão fosse um apartamento de formigas. Ele diz: "Ah se elas comerem toda a minha maça. Tive que usar os pregos como solda, e meu baú deixou de ser impermeável", justifica. Pergunto se ele pode abrir seu armário para eu observar melhor. "Minha vida é um livro aberto, pegue você mesmo". Abro o latão e uma camisa do Botafogo, número 7. Em seguida, formigas. Logo depois, a maça, um pente, uma faca pequena e uma carteira do exército com sua foto, 19 anos, servindo no Forte de Copacabana. Apenas isso. Pergunto sobre a blusa do Botafogo enquanto guardo tudo novamente no latão e ele responde: "Não gosto de futebol. Achei essa camisa jogada no aterro e peguei". Pergunto sobre o pente: "Tem uma moça que gosta de mim, e como não sei quando ela aparecerá novamente é bom estar sempre com ele aí." Não pergunto sobre a maçã, pois, por precaução, já me antecipo: "você não tem cara de assaltante Biafra, ou, se tem, agora não tem mais porque sou eu, então a maçã é pra comer e a faca pra cortá-la. Ele nada responde. Pergunto sobre a foto do Exército no Forte de Copacabana e ele diz que é apenas uma foto. "Isso aí é melhor não lembrar". Pergunto se ele deseja que eu coloque novamente as formigas no latão e tento quebrar uma potencial lembrança ruim. Ele reponde então que poderia fazer um latão pra mim, pois teria me achado "um cara legal" e "diferente". Digo que meu negócio é mulher e ele cai na risada. Mas, depois da brincadeira, observo a mega elefantíase ou algo que não seja menos do que isso em uma das suas pernas. "Pô, Biafra, e eu que sou diferente? O que você arrumou aí na perna, cara, já foi num hospital?" Ele reponde: "Fui no Rocha Maia, UPA, num monte de lugar e todo mundo olha e diz que tenho que ir a outro lugar. Desisti faz tempo, Ninguém encosta." Digo apenas "entendi" e sigo meu caminho. Fato é que nunca mais conseguirei escutar as palavras lata, latão, tinta ou latas de tinta, e não lembrar do Biafra. Quis tocar no assunto "Deus", mas só deu tempo de escutá-lo dizer que é algo difícil de acreditar. E completou: "Não pra você rapaz, e sim pra mim". Possivelmente não terá nem um enterro em cova rasa pago pela municipalidade, pois a mesma não quis nem tratar a sua perna. Uma coisa, porém, é certa: irá para o mesmo lugar onde vão os reis de verdade.