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Frases de adriano peralta

36 frases

⁠“É irônico acreditar que o protestantismo brasileiro tenha se transformado no maior pilar de sustentação do CONSERVADORISMO. O histórico dos evangélicos confunde-se com o dos PROGRESSISTAS, alterando constituições, leis e costumes até demarcarem seu espaço na rotina do nosso pov…
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⁠“É irônico acreditar que o protestantismo brasileiro tenha se transformado no maior pilar de sustentação do CONSERVADORISMO. O histórico dos evangélicos confunde-se com o dos PROGRESSISTAS, alterando constituições, leis e costumes até demarcarem seu espaço na rotina do nosso povo.”

⁠“Surge com grande efervescência uma religiosidade híbrida rotulada de evangélica e cercada de símbolos e ideologias judaicas. A bíblia diferencia gentios e judeus com uma clareza vítrea. Cristianismo e judaísmo são religiões absolutamente diferentes e incompatíveis - cada qual c…
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⁠“Surge com grande efervescência uma religiosidade híbrida rotulada de evangélica e cercada de símbolos e ideologias judaicas. A bíblia diferencia gentios e judeus com uma clareza vítrea. Cristianismo e judaísmo são religiões absolutamente diferentes e incompatíveis - cada qual com seus preceitos e valores."

“Essa `vibe` NEGATIVISTA é contagiante. Estou cada vez mais convicto de que George Orwell não morreu. Ele está lúcido em algum lugar do planeta acompanhando atento às notícias pela internet e colhendo material para seus livros. `A revolução dos bichos` e `1984` foram escritos em…
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“Essa `vibe` NEGATIVISTA é contagiante. Estou cada vez mais convicto de que George Orwell não morreu. Ele está lúcido em algum lugar do planeta acompanhando atento às notícias pela internet e colhendo material para seus livros. `A revolução dos bichos` e `1984` foram escritos em 2020.”

“Leno, o cara vital. Preocupado com a saúde, evita gordura animal e nunca abusa do sal. Acorda pro treino matinal e aos domingos, no geral, segue a turma do pedal. Dorme sempre antes das nove e desliga o celular quando chove. Não há cigarro que prove. Detesta carnaval e qualquer…
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“Leno, o cara vital. Preocupado com a saúde, evita gordura animal e nunca abusa do sal. Acorda pro treino matinal e aos domingos, no geral, segue a turma do pedal. Dorme sempre antes das nove e desliga o celular quando chove. Não há cigarro que prove. Detesta carnaval e qualquer discussão banal. Faz check-up semestralmente, cuidando do corpo e da mente. Hoje pela manhã, caminhava pela região central, quando parou frente a um espelho pra conferir o peitoral. Caiu a placa da igreja pentecostal, golpeado-o na retro-orbital. Falecido, chegou ao hospital. Uns dizem que foi um chamado, inopinado, por escolha do imaculado. Outros dizem que ele estava em pecado, por si próprio apaixonado e seu fim foi decretado. Eis o defunto mais saudável da cidade, outra vítima da vaidade.”

⁠Ciclopes modernos. Pedro é policial numa das regiões mais violentas do mundo – a América Latina. Juntamente com o Caribe corresponde a apenas 8% (oito por cento) da população mundial, mas é a fatia planetária onde ocorre um terço dos mais de 437 mil homicídios registrados anual…
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⁠Ciclopes modernos. Pedro é policial numa das regiões mais violentas do mundo – a América Latina. Juntamente com o Caribe corresponde a apenas 8% (oito por cento) da população mundial, mas é a fatia planetária onde ocorre um terço dos mais de 437 mil homicídios registrados anualmente. De origem proletária, perseguiu seu sonho de se tornar um agente da lei. Ele vive da segurança em meio à insegurança; sabe que a probabilidade de ser morto em um assalto chega a ser 6.000% (seis mil por cento) superior à de um cidadão comum. Também sabe que o número de roubos no continente onde vive é absurdamente alto. Quando entrou para a polícia lhe prepararam para a guerra. Os testes físicos eram rigorosíssimos. Teve que fazer curso de sobrevivência na selva ficando quatro dias sem se alimentar e tomando água da chuva. Os sentimentos mais primitivos da evolução humana afloraram do seu interior naqueles dias. Nos tempos de preparação da academia foi submetido a todo tipo de humilhação. Eram trotes, pancadas, xingamentos, castigos e até sessões de tortura. Foi doutrinado na certeza de que aquele que conseguisse passar por tudo isso estaria pronto para cumprir sua difícil missão e suportar os desafios da carreira. Algumas pessoas também lhe disseram que tudo aquilo iria lhe causar traumas violentos e fazer com que ele descontasse no cidadão parte do que sofreu no seu treinamento. Pedro odeia o discurso de alguns sociólogos que dizem que o Estado treina uma polícia para a guerra e a coloca para trabalhar em atendimento ao cidadão. Na sua concepção, a lida diária correndo riscos da profissão e enfrentando criminosos com fuzis e metralhadoras demonstram um estado de guerra urbana. No mês passado ele trocou tiros e matou o assaltante de um supermercado. Há aproximadamente seis meses ele auxiliou no parto de uma moradora de rua cuja criança nasceu dentro da viatura enquanto era levada para a maternidade pública. Pedro não é Deus, mas já trouxe uma pessoa à vida e levou outra à morte. No bairro onde trabalha o índice de homicídios é muito alto. Em quase todos os seus plantões sempre atende a pelo menos um homicídio. São tantos os atendimentos que ele já não sente mais a compaixão pelo defunto – virou rotina, é algo muito normal. Costuma dizer que o ruim desse trabalho é no dia que tem que enfrentar algum homicídio cuja vítima é criança; isso lhe estraga o dia, embora tenha medo de que a rotina também lhe transforme em um ser indiferente a um cadáver infantil. Leu em um livro de autoajuda que o ser humano para ser considerado normal precisa despertar e ter o controle de todos os sentimentos (amor, ódio, paixão, compaixão, raiva, alegria, inveja, orgulho, piedade ...). Alguns desses ele já não tem, outros não consegue conter e o pior é que alguns se manifestam em ocasiões erradas. Sua engrenagem cerebral de sentimentos parece estar um pouco desajustada ultimamente. O meio em que vive não é nada favorável. Lida com pessoas alcoolizadas, entorpecidas, psicóticas, criminosas, vítimas chorando, gente gritando, famílias brigando, gente lhe xingando etc. A jornada de doze e às vezes de vinte e quatro horas corridas também lhe confunde o relógio biológico. Quando trabalha à noite sente sono, quando termina o turno e vai para casa descansar tem dificuldade em dormir (fica pensando no próximo plantão). A vida conjugal também não anda nada bem, mas isso é visto com normalidade, afinal, dos colegas de profissão ele é o único que ainda está suportando o primeiro casamento. Alguns sinais de estresse já apareceram como a hipertensão e a diabetes; “nada preocupante” reponde ele, “é coisa do dia da dia e da alimentação de rua”. Nos turnos de trabalho se alimenta em lanchonetes ou restaurantes que dão descontos para policiais. Nas madrugadas sombrias, Pedro e os demais ocupantes da viatura são a única presença e a representação física do Estado. Não tem julgador, legislador, fiscalizador nem consultor – os problemas surgem e o Estado age pelas mãos de Pedro e seus colegas de trabalho. O salário não é grande coisa, mas ajuda a manter um padrão de vida diferenciado no bairro pobre onde mora. Ele se orgulha de ser tentado à corrupção todos os dias e nunca ter cedido a ela. Nos telejornais e nos sites de notícias aparecem analistas econômicos dizendo que Pedro e os demais servidores são os responsáveis pelo desastre das contas públicas. Pessoas como ele são consideradas privilegiadas e que se aposentam cedo demais. Nos intervalos de cada programa surge o patrocinador: sempre um banco, uma financeira ou um operador de fundo de pensão que lucram fortunas emprestando dinheiro ao governo com juros estratosféricos. Ontem à tarde o parceiro de trabalho de Pedro foi convocado para fazer a segurança do parlamento onde estavam sendo votadas as novas leis que regridiriam o regime previdenciário dos funcionários públicos. Havia um grande protesto nos acessos à casa de leis. No tumulto eles empurraram o amigo de Pedro que sacou a arma e atirou a esmo atingindo fatalmente um professor que lutava por seus direitos. Hoje o noticiário só fala desse assunto. Curiosamente, algoz e vítima estavam socialmente no mesmo lado – ambos seriam prejudicados com as alterações legais. Provavelmente o policial continuará preso por mais algum tempo e será expulso do serviço público. Suas perspectivas futuras não são nada boas. Pedro foi visitar o amigo e passou a refletir sobre os acontecimentos: está em dúvida sobre qual lado é o certo e qual é o errado. Na expectativa de que Deus lhe desse uma palavra nesse momento, abriu a Bíblia aleatoriamente e leu um versículo em 2ª Timóteo 4:7-8: “ Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia ...” Está confuso sobre qual seria o “bom combate”; como diferenciar as batalhas que devem ser enfrentadas e as que não compensa combater ? Pedro vivencia a saga de “Dom Quixote de La Mancha” imortalizado por Miguel de Cervantes. Ficou mentalmente transtornado pelo descompasso entre seu idealismo e sua realidade de vida. “...Enfrentar o inimigo invencível, Tentar quando as forças se esvaem, Alcançar a estrela inatingível: Essa é a minha busca.” (Dom Quixote)

⁠ RINÓPOLIS - a cidade da minha infância; sem metrô, nada de relevância. Na balaústra do portão, o padeiro deixava o pão; apertava a buzina estridente, fixada na carroça azul, com a mula amarrada na frente.
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⁠ RINÓPOLIS - a cidade da minha infância; sem metrô, nada de relevância. Na balaústra do portão, o padeiro deixava o pão; apertava a buzina estridente, fixada na carroça azul, com a mula amarrada na frente. Às seis da tarde, via a noite chegando, ao som do sino tocando, meu pai na Belina chegando. A área comercial, tinha o bêbado oficial. Dormia ao chão atirado, com repulsa social; às vezes falante, em outras deprimido, mas por todos conhecido. Quando ligava o auto falante, e tocava a `Ave Maria`, de longe já pressentia: alguém havia partido. Era hora de silencio, pra saber do falecido. Sorridente ou infeliz, aos domingos de forma sagrada, o povo cercava a matriz. Grande era a movimentação, o padre Miro finalizava o sermão, os bancos eram disputados, e os diálogos encetados. O cardápio era bem limitado: sorvete, pipoca ou amendoim ensacado (cru ou torrado). Dali um dia parti, para um rumo desconhecido; vinte anos mais tarde voltei, quando então me assustei, com o que tinha acontecido - era um filme repetido. Tudo estava no mesmo lugar. O velho taxista, com seu Fusca foi me buscar. Achava a vida meio parada, mas na verdade, era apenas descomplicada. Era um tempo de buscar o barulho, o tumulto, agitação, progresso e competição. Agora, sinceramente, confesso: hoje penso no regresso. Com o passar dos anos, se descobre que a vida, quando corrida, passa rápido e despercebida.